Paulo Navarro | sábado, 22 de agosto de 2020

Foto: Isamu Mitsueda/Divulgação Líder Aviação

Vaz de Caminhos

Eduardo Vaz, presidente da Líder Aviação – templo do comandante José Afonso Assumpção – faz questão de corrigir. São 38, quase 40 anos de experiência nos céus. “Comecei como estagiário na Líder na área de manutenção, quando estava no quarto ano no curso de Engenharia da UFMG. Depois, trabalhei como engenheiro na área de vendas no departamento de manutenção, diretor de marketing, diretor de vendas militares, diretor internacional, diretor superintendente e, em 1998, assumi a presidência da Líder Aviação”. Pelo jeito, como lerão a seguir, o céu é o limite de Eduardo. Boa viagem!

Eduardo, consegue o impossível, resumir o melhor dos 40 anos na indústria da aviação em algumas linhas? 

Quase 40... Tenho 38 anos na indústria da aviação. Se passou voando é porque o astral da aviação mantém-se sempre a mais de 40 mil pés de altitude.

Muitas histórias, imaginamos. Mas qual a mais inusitada? E com o “nosso comandante” José Afonso Assumpção? 

Fiz uma entrevista para ser assistente do comandante José Afonso, fui selecionado e fiquei nos Estados Unidos por três meses. Ao voltar, ele me pediu para fazer uma avaliação de aeronave, o que poucos sabiam fazer. Eu, muito novo, fui mostrar a avaliação e ele, prontamente, me disse que ela estava errada. Eu respondi: “Não está, não!”. Ele insistiu que estava incorreta e pediu para que eu comprovasse. Eu expliquei e comprovei. Foi então, que ele reconheceu que a avaliação estava correta. Dessa experiência, e de outras infindáveis, é que eu aprendi que a convivência com o comandante José Afonso não seria nada comum, teria um valor único.

Mas tem muito mais, claro!

A história com o comandante é a história da minha vida. Foi uma convivência muito próxima e intensa, que me modelou, que determinou minha vida profissional e também minha vida pessoal. É uma história de coragem, determinação e de protagonismo em relação à vida. Aprendi que o destino é você quem faz; a cada dia, a cada voo. Em uma reinvenção constante. Então, são “incontáveis” histórias que construíram a grande história!

Qual o maior ou melhor aprendizado nestas quatro décadas? 

Que só com muito trabalho, perseverança e sagacidade, conseguimos superar os desafios e nos realizarmos profissionalmente.

Tanta bagagem deve ajudar muito neste inóspito 2020, cheio de nuvens e turbulências, correto? 

Sim. Com um pouco mais de maturidade e serenidade, eu consigo contribuir com a nossa equipe estabelecendo as principais estratégias, organizando as prioridades e fazendo que o essencial nunca seja esquecido ou postergado.

A crise mundial é uma oportunidade para a aviação executiva, ainda mais segura? 

Acredito que sim. A Líder Aviação se adaptou rapidamente a um novo protocolo sanitário aliado às novas tecnologias digitais que já estavam bem desenvolvidas, como nosso aplicativo. Isso nos coloca em uma posição singular para oferecer a melhor mobilidade aérea do país, com toda a segurança e conforto, para que cada cliente se lembre dessa experiência de uma forma encantadora.

Como a Líder Aviação enfrenta esta crise inédita? 

Desde os primeiros casos suspeitos do novo coronavírus no Brasil, a Líder criou um Comitê Emergencial que monitora o cenário, as bases e solicitações dos gestores da empresa a fim de assegurar a saúde dos nossos clientes, colaboradores e parceiros. Nossos colaboradores recebem, diariamente, todas as orientações necessárias para a prevenção e procedimentos situacionais de enfrentamento de casos suspeitos e confirmados da Covid-19, nas operações da empresa por meio de campanhas educativas, seguindo todas as orientações dos órgãos competentes. Todos os processos de limpeza e higienização dos locais de trabalho, salas VIP, vans e aeronaves também foram reforçados, seguindo as orientações dos órgãos de saúde nacionais e internacionais.

Por falar em colaboradores, como vai a “tripulação”?

Temos uma equipe técnica, altamente capacitada e, por isso, também buscamos ações de controle e redução de custos para manter o nosso quadro de colaboradores. Na nossa linha de frente, estão 85% dos nossos colaboradores e os outros 15% estão em home office dando todo suporte aos que estão nas bases. Todos comprometidos e muito dedicados para superarmos juntos, com muita segurança, este desafio.

Então, tudo azul nestes tempos com vários tons de cinza?

A Líder tem uma cultura de excelência muito forte e isso faz com que a gente tenha um dos melhores índices de segurança do Brasil e um dos melhores do mundo. Somos certificados pelas mais exigentes auditorias e certificações nacionais e internacionais do mundo da aviação. Na aviação executiva, somos a primeira, no Brasil, a conquistar o terceiro e último estágio de certificação IS-BAO (Internacional Standard for Business Aircraft Operations) em fretamento de aeronaves. O selo mundial, concedido pelo International Business Aviation Council (IBAC). É o mais importante órgão de certificação da aviação executiva no mundo, atestando a qualidade e a segurança das empresas de aviação executiva, bem como a padronização de suas operações.

Mas, tem mais...

Sim, pelo quarto ano consecutivo, recebemos o 1º lugar no Programa de Excelência Operacional de Transporte Aéreo e Marítimo (Peotram). O programa Peotram foi criado para desenvolver padrões de gestão da segurança ainda mais rigorosos para as empresas de transporte aéreo a serviço da Petrobras.

Quais as perspectivas no pós-pandemia? 

Acreditamos que nós somos uma opção mais segura, mais tranquila para quem quer e precisa viajar. Por isso, a retomada da aviação executiva deve acontecer mais rapidamente do que a aviação comercial, por exemplo. Ela pode se tornar ainda mais atrativa, após da pandemia, com a venda de assentos nos voos executivos, assim como acontece na aviação comercial. A nova modalidade já foi autorizada pela Diretoria Colegiada da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), no início do mês. Com isso, conseguiremos expandir o serviço para outros públicos e suprir parte da demanda que existe e não está sendo atendida pela malha aérea existente.

Quase um céu de brigadeiro. 

Ainda assim, é um momento de incertezas, mas que vai passar. Porém, vai deixar marcas, não só em diversos setores, mas na macroeconomia. Por isso, o nosso desafio é tentar, com ou sem ajuda do Governo, diminuir ao máximo os impactos para garantir a sobrevivência e voltar a crescer. Já existe uma sinalização de retomada econômica. Estamos tendo uma pequena recuperação, apesar de ainda estar muito abaixo dos meses de janeiro e fevereiro. Mas só vamos conseguir perceber quais serão as mudanças que vieram para ficar depois da pandemia.

E as perspectivas pessoais? 

Apesar de estar chegando aos 40 anos de carreira, quero manter a chama do entusiasmo pelo trabalho. Em um mundo de mudanças estruturais tão rápidas e profundas, quero buscar na minha experiência uma inspiração para inovar e me renovar constantemente. Espero que o trabalho continue sendo uma atividade prazerosa, que aliada aos momentos de lazer, me mantenha ativo por muito mais tempo.