Paulo Navarro | sábado, 21 de setembro de 2019

Foto: João Dicker


Ave Agnes

A beleza de Agnes Farkasvolgyi começa pelo nome, passa pela mulher e continua na multiplicidade de dons. Além de artista plástica, é empresária, sócia do bufê Bouquet Garni; mas sobretudo, chef. Principalmente agora, assinando o restaurante da Casacor Minas 2019, Na Mesa com Agnes. Se o tino da empresária está no empreendimento, o talento da artista está em pratos de admirar e saborear.


Ainda é cedo para um balanço do restaurante Na Mesa com Agnes, dentro da Casacor Minas 2019, ou já podemos conhecer os sabores?

Depois de duas semanas, posso dizer e garantir que será novamente um sucesso. Estamos muito entusiasmados com a resposta que estamos tendo do público, trabalhando com a casa cheia desde o primeiro dia da mostra.


O que é a gastronomia afetiva? A tradição mineira da mesa na cozinha, a conversa em torno do fogão e de amigos?

Exatamente essa definição, mas, para além disso, a gastronomia que carrega história e histórias, que traz memórias quando comemos, repleta de cheiros que nos remetem ao aconchego e ao cuidado.


O restaurante também brinda, neste 2019 que já vai acabando, os incríveis e criativos 30 anos de atuação do teu Bouquet Garni?

Sem dúvida nenhuma. No restaurante da Casacor Minas, revisito parte das minhas receitas e influências que me acompanham desde o início da carreira, com um olhar ressignificante, dando um novo toque para tudo com ainda mais carinho e paixão pela cozinha.


O restaurante ganhou o tempero, o toque, a colher de Midas dos arquitetos Flávio Bahia e Will Lobato?

E que tempero, que toque, que colher! Um projeto que abraça todo o conceito do cardápio e se combina aos aromas, cores e especiarias.


Qual o segredo de um restaurante, efêmero, temporário?

Muita dedicação, o trabalho árduo de uma equipe afinada e muito amor ao cozinhar.


E o cardápio? Antes de comer, admirar, reverenciar como uma obra de arte?

Sempre. Acredito em uma cozinha que estimule vários dos nossos sentidos. O olhar é o primeiro deles e um dos mais importantes para toda a experiência.


O que você chama de memória, como ingrediente, na cozinha?

Geralmente, a memória em torno de algum alimento ou prato está ligada a afeto, a algo que nos traz conforto. Comida de vó, comida de cuidado e de carinho. Quando usamos esse ingrediente em um prato, trazemos junto essa carga afetiva.


O próprio espaço, o modernismo e a história do Palácio das Mangabeiras te inspiraram?

Pensei em um cardápio que tivesse pitadas de “Gala”. Um espaço para celebrar e, ao mesmo tempo, luxuoso, onde poucos estiveram antes e gostariam de estar agora.


Você projetando pratos, como um arquiteto projetando uma casa. É por aí?

A criação de um prato é, a princípio, um projeto e, depois, uma construção de sabores. Costumo desenhar os pratos que imagino e anotar ao lado os sabores envolvidos nessa mistura. A partir daí é testar, ajustar, provar e aprovar ou não.