Paulo Navarro | sábado, 21 de novembro de 2020

Foto: Edy Fernandes


É e será

É Antonio sem acento e Marcellini com dois “l”. Marcellini, Antonio Augusto! Nome de general, cônsul ou imperador da Roma Antiga. Sua especialidade? Diversão! O charme do frio, dos chalés e do fondue, no Brasil Tropical. Sua trajetória? Abençoada por Deus. A “ideia” nasceu na geografia mais europeia do Brasil, o Sul. “Foi lá que meu estilo romântico começou a apreciar a cultura do frio”. Foi assim, com final feliz sem fim.


Com 50 anos “de praia”, continua otimista?

Quando a pessoa gosta do que faz, ela cria, desenvolve e ama o seu projeto, seu negócio; não existe crise. Existe paixão e vontade. E disto é feita a juventude. Acredito no trabalho. Como diz um amigo: “Quanto mais eu trabalho, mais sorte tenho”.

Restaurantes e casas noturnas foram dos mais afetadas pela pandemia. Como resistiu?

Tivemos que nos reinventar. Trocar os pneus com o carro em movimento, um grande desafio.  Segurança financeira e boas ideias desenvolvidas há 41 anos nos deram estabilidade e diminuíram o impacto da epidemia.

Você participa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), desde a sua fundação. Como a entidade atuou?

Fizemos até o impossível para nos entender com as autoridades, discutindo propostas, nem sempre de bom senso. O fato de estarmos unidos e organizados ajudou muito.

Aos 75 anos, lançou o livro “Era uma vez... a história de Antonio Augusto Marcellini”. Qual a motivação?

O momento de vida. Todo homem tem uma história e decidi contar a minha para meus filhos, netos, amigos. Lutei, ganhei e perdi. Tudo com paixão, amor, concentração e determinação. E é assim que pretendo seguir.

Uma história rica. Algum arrependimento? 

Emoções constantes e sem arrependimentos. Aprendi a viver o presente. É tudo o que temos, a grande dádiva divina. Vivê-lo intensamente é o que nos dá energia.

Há poucos anos você ficou cego. Como foi a superação?

Acreditando no nosso Deus superior. Repensei minha vida, com apoio da família, amigos. É uma constante adaptação a esse destino. Hoje sou diferente, menos soberbo e impetuoso, mais reflexivo. Difícil para quem tem sangue italiano. Um aprendizado diário. Sempre cultivei a alegria de viver, e isto tem me ajudado muito.

Este nome tão grande, “Era uma vez.... Um chalezinho” e tantos outros chalezinhos, não confunde? Ou é uma marca?

Tudo começou com uma história de amor sob as frondosas mangueiras nos primórdios da Savassi. Hoje virou uma marca, uma homenagem a Belo Horizonte, uma cidade com muito verde, que, hoje, só existe na nossa memória.

Como você vê o futuro do grupo Chalezinho? 

Temos pessoas incríveis, criativas e trabalhadoras. Assim, fica fácil acreditar no futuro. Nosso horizonte é amplo, vamos continuar dando ênfase aos projetos de entretenimento para gente sensível e divertida. Pretendo também criar o Instituto Chalezinho, uma fundação para compartilhar experiências e apoiar projetos de educação e cultura, com foco nas pessoas que atuam no nosso setor.