Paulo Navarro | sábado, 20 de novembro de 2021

Entrevista com a atriz Zizi Possi. Fotos: Danilo Borges

Tomando Possi

Zizi Possi dispensa apresentações, mas não uma apresentação! E a próxima acontece no Cine Theatro Brasil Vallourec, homenageando Chico Buarque e Edu Lobo, dia 26, às 21h, em formato híbrido. O público pode aplaudir presencialmente ou em casa, via Eventim. Entrevistamos Zizi, por e-mail, e ela foi meio lacônica e muito diplomata. Ao perguntarmos sobre a atual MPB - para nós, em abissal decadência - ela preferiu responder com um irônico “rs” e um socrático “só sei que nada sei”. No diálogo com os habitantes de Atenas, o filósofo grego afirmou saber nada de nobre e nada de bom.

Zizi, aquela boa, velha, provocativa e polêmica pergunta: Lennon ou McCartney? Beatles ou Stones?

Beatles! McCartney.

Agora, uma escolha capciosa, quase “pegadinha”: Chico ou Caetano?

O dois!

Por que Chico & Edu?

Porque eu gosto muito, e esses dois compositores contribuíram sempre e muito, para a construção da minha identidade musical. Percebi ao longo da minha carreira, o quanto esta dupla está presente no meu repertório, o quanto ajudou a moldar e construir minha personalidade de artista e intérprete. As músicas que nasceram dessa parceria não fizeram refletir só a mim, mas a milhões de pessoas no Brasil e em muitas cidades espalhadas pelo mundo, que se alimentam de sua beleza e profundidade.

Chico Buarque e Tom Jobim têm apenas cinco ou seis parcerias, mas Chico e Francis Hime têm muitas e famosas. Daria outro show? Este show só terá as parcerias de Chico & Edu ou também trabalhos individuais deles?

Sim! Cada um deles tem parcerias incríveis com outros compositores! No show canto uma canção que é do Francis e do Chico, mas todas as demais são parcerias de Edu com Chico.

O que você acha das rádios e TVs do Brasil não programarem mais Chico Buarque, Edu Lobo e Cia?

O mundo vem mudando de cara, cada vez mais rapidamente. Não ouso analisar comportamentos e tendências. Acredito vivermos um momento especialmente recheado de pessoas com diferentes graus de consciência, necessidades, ... Acho que faz parte. Nem sempre é bom, mas faz parte.

O que acha da MPB hoje? Ela ainda existe ou acabou?

Como disse anteriormente, acredito que tudo está mudando simultaneamente e rapidamente. A foto está tremida! Rs. Só sei que nada sei!

A arte no Brasil, como o futebol, “agoniza, mas não morre”?

Arte nunca morre, em lugar nenhum. A arte é a expressão humana não religiosa mais pura de conversar com Deus. Por isso é que conta a história da humanidade, para quem puder ler essa linguagem. A arte morrerá quando Deus e/ou o homem morrerem também.

Este espetáculo é fruto da pandemia?

Não e não. Levantei esse show em 2019 e cheguei a apresentar em algumas poucas capitais. Digamos que a paralização do show é que se deveu à pandemia.

Planos para 2022?

Aprendi a não planejar. Vida de artista é assim: a única coisa prevista é o imprevisto! E assim vamos caminhando!