Paulo Navarro | sábado, 20 de março de 2021

Entrevista com o CEO da BH Airport, Kleber Meira. Foto: Pedro Vilela / Agência i7

Céu sem limites

No fim de 2020, Kleber Meira era responsável pela área de novos negócios da CCR Aeroportos, grupo acionista do aeroporto internacional de BH, com Zurich e a Infraero. Acionistas que buscavam um executivo afinado com o crescimento e expansão planejada para os próximos anos. Acharam! Com a palavra, o CEO da BH Airport, concessionária do Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, Confins.

Kleber, a pandemia e seus impactos.

2020 foi desafiador. Questão de saúde que afetou todos os aeroportos. Vínhamos de um 2019 super positivo, com 11 milhões de passageiros/ano. O aeroporto estava pronto para conectar pessoas e negócios, com uma infraestrutura moderna e com espaço para crescimento.

Mas no meio do caminho havia um vírus.

A crise contribuiu para uma mudança de mindset. Seremos melhores, mais seguros e eficientes. Fechamos 2020 com cerca de cinco milhões de passageiros; retomada gradual e segura.

O que mudou na demanda diária dos passageiros?

Antes tínhamos executivos ao longo do dia, no famoso bate-volta para reuniões. Agora, famílias que visitam parentes ou viajam com crianças em férias.

E em relação às rotas e conexões?

Antes da pandemia, eram 45 destinos. Hoje, 33, sendo um internacional, além de aguardar a liberação do governo português para retomarmos os voos da TAP.

Quais são as lições?

Privilegiar a saúde e a segurança; comunicação transparente, ágil e atuante; adaptação como sobrevivência e resiliência.  

Quais os novos protocolos de saúde?

Todas as medidas necessárias contra o coronavírus. Passageiros, visitantes e a comunidade aeroportuária com segurança, em terra e no ar. Limpeza e desinfecção das áreas comuns de todo o aeroporto. “Dispensers” de álcool, barreiras de proteção nos locais de atendimento e adesivos informativos.

E a comunicação?

Uma campanha. Oito mil peças informativas sobre a higienização das mãos, o distanciamento, isolamento de assentos, uso de máscara etc.

Quais os principais planos a partir deste ano?

Rotas da Eastern Airlines para Nova Iorque, Boston e Miami. Será a primeira vez que a companhia aérea fará voos regulares ao Brasil. E BH é a primeira cidade brasileira contemplada pela empresa. Revisão do mix de lojas, ampliando o número de marcas globais.

Minas é uma atrativo à parte?

Está entre os dez destinos mais acolhedores do mundo. Temos que aumentar o número de voos, ampliar o número de empresas aéreas que usam Belo Horizonte como hub e, principalmente, fortalecer a relação com o governo e o trade turístico. Para completar, a Amerisolar Brasil é a segunda empresa a se instalar no Aeroporto Industrial.

Quais as expectativas?

Estamos na retomada. Em dezembro, alcançamos os 30 mil passageiros diários de antes, entre o Natal e o Réveillon. A retomada ainda é incerta. Em 2022 a malha doméstica estará normalizada; a internacional deve levar de três a quatro anos para voltar ao normal.