Paulo Navarro | sábado, 2 de outubro de 2021

Entrevista com o presidente do Conselho Diretor do IBRAM Wilson Nélio Brumer. Foto: Glenio Campregher

Homem de Ferro

O currículo de Wilson Brumer, presidente do Conselho Diretor do Instituto Brasileiro de Mineração IBRAM, claro, não cabe aqui. Entre outras experiências, de 2003 a 2007 ele foi secretário de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais e presidente dos Conselhos de Administração da Cemig, Light, Codemig, Indi e vice-presidente do Conselho do BDMG. Alguma dúvida sobre a competência do homem?

A mineração vive um ciclo positivo em produção e comercialização. Este cenário irá perdurar?

Os investimentos e projetos aumentaram nos últimos anos. A demanda global por commodities deve continuar crescente. Além dos minérios tradicionais, há crescente interesse dos mercados internacionais por minerais estratégicos voltados à chamada economia verde: vanádio, lítio, nióbio, terras raras.

O que é preciso para aproveitar esta demanda?

Pesquisa geológica. Apenas 3% do território nacional apresenta mapeamento geológico. O Brasil precisa conhecer o que há em seu subsolo. A burocracia extensa e custosa precisa ser derrubada. Estabelecer procedimentos específicos e inteligentes de licenciamento ambiental para o setor mineral. O setor de óleo e gás tem. O mineral merece o mesmo tratamento. E linhas de crédito para projetos.

O Brasil e as autoridades apoiam a mineração?

Sim. O setor mineral respondeu seriamente aos rompimentos de barragens. O governo federal tem elaborado planejamentos de longo prazo. Isso é muito positivo. Infelizmente, leis, normas e taxas elevam os custos do setor e prejudicam as exportações. Penalizar a mineração é demonstrar visão míope, limitada, equivocada. O Brasil perde bilhões em investimentos estrangeiros.

O IBRAM vai organizar mais uma EXPOSIBRAM!

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Como estão as perspectivas de investimento?

Para 2021-2025, cerca de US$38 bilhões. Minas receberá a maior parte, 35%, ou seja US$13 bilhões. Isso inclui descomissionamento de barragens, implantação de alternativas para rejeitos e projetos de sustentabilidade, como redução de emissões, ações climáticas, energias renováveis.

O IBRAM e outras organizações estão à frente de um projeto voltado a desenvolver territórios minerados. Mais detalhes?

Está em fase de debate com os parceiros e já com o envolvimento de prefeitos de municípios mineradores. As mineradoras são agentes econômicos importantes em um município. Elas têm que agir como empresas-cidadãs. O royalty recolhido pelas mineradoras deveria, exclusivamente, financiar este tipo de ação.

Que tipo de ações estão previstas?

Oportunidades para o desenvolvimento de redes de fornecedores locais. A proposta é que a mineração e as organizações parceiras auxiliem as lideranças municipais a definirem as vocações econômicas de cada localidade.