Paulo Navarro | sábado, 2 de novembro de 2019

Foto: Hermam Alexander


O Alfaiate do Panamá

Seu nome é Blade, Marcelo Blade, e não se fala mais nisso. Alfaiate do Panamá só entrou no título porque é um nome bonito de um filme muito bom. Ainda que, no cinema, certamente, Blade prefere “Blade Runner”. Está na cara, está na marca, no metro e na grife dos melhores ternos de BH. E por não falar em Panamá, Blade está mais é para a meca dos ternos, Saville Row, London Town. Boa viagem!


Blade, quem é o homem, o mito, a lenda viva chamada Hermano com H de Herança?

Hermano é simplesmente um grande amigo, meu pai. Um dos maiores alfaiates de sua época em Belo Horizonte, nas nossas Minas Gerais, neste tal de Brasil. Alfaiate dos governadores, políticos, empresários. Um grande alfaiate mineiro.


E quem é Blade, o filho do Homem?

Blade é o alfaiate contemporâneo de Belo Horizonte. Fui criado dentro do ateliê do Hermano, meu pai. Conservando a qualidade do trabalho, nós temos uma clientela muito “wonderful”, chiquérrima, tecidos nobres, trabalho impecável.


Você é Caçador de Androides, como o Harrison Ford?

Caçador de androides para mim é o “Blade Runner”, o filme que, quando assisti, me fez decidir fazer dele a minha marca. O que acontece é que eu sou um camarada que respira moda, nasci na moda, é o que eu sei fazer. Eu sou um alfaiate.


E o alfaiate Blade, é um caçador de estilo, elegância, “fina porcelana”?

O que este humilde Blade gosta de fazer? Acordar cedo com uma grande ideia e delirar realizando. Acontece que minha cabeça está cheia de ideias e eu consigo realizar tudo que passa na minha cabeça. Eu trabalho, sou artista, tenho muita informação, arregaço as mangas e vou à luta. Eu sou um camarada que é um artista contemporâneo.


Você também é artista plástico ou essa faceta é apenas hobby, marketing?

Às vezes estou num restaurante e alguém pergunta: “Como faço para fazer um terno?”. Eu saco do bolso a fita métrica, um guardanapo e uma caneta. É tudo que eu preciso para atender um cliente num momento, no agora. Então, eu faço negócio o tempo todo da minha vida, estou prospectando clientes e sempre difundindo cada vez mais o trabalho do artista e todas as ações dele remetem para o “Alfaiarte”.


Por falar nisso, você é bom em marketing... Aprendeu na luta? O segredo de tantos anos é talento, olhos de lince e mais o quê?

O que acontece é que eu sei qual o produto é bom de olho, eu tenho isso dentro de mim. A qualidade, o bom gosto, o desenho, a forma, tudo isso é de experiência. Eu aprendi dentro do ateliê onde eu trabalho demais e o tempo todo com clientes exigentes. Então, não tem como sair fora de ser bom de serviço.


Para quem gostaria de fazer um terno?

Eu gostaria de fazer um terno para o Pepê, Pedro Paulo, da Cia do Terno, e para o cara mais famoso, mais chique do mundo, que se chama Jeff Bezos, da Amazon.


Termine a entrevista com um de seus versos eróticos...

Papai me quis, mamãe me desejou, e eu gosto é de gozar junto.