Paulo Navarro | sábado, 1º de fevereiro de 2020

Foto: Neto Miranda


Paes e Mãe

Vem de longe a vocação de Tereza Guimarães Paes para a filantropia: ajudar ao próximo, os desfavorecidos. Psicóloga pela PUC/MG, com especialização em Psicanálise pela Universidade de Paris VIII e MBA em Gestão de Saúde (IBMEC), Tereza, além de ocupar a presidência da Fundação Benjamim Guimarães, foi vice-presidente da Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos de Minas Gerais.


Tereza, a filantropia está no sangue?

Sim, desde pequena, aprendi ajudar ao próximo, com minha avó, Filhinha Gama, e meu bisavô, Benjamin Guimarães, exemplo de benfeitor, humanismo, desprendimento e atuação social.


A Fundação Benjamim Guimarães mantém o Baleia, um hospital filantrópico, para quem?

Majoritariamente, os usuários do SUS, com muito orgulho. Atendemos a 88% dos municípios mineiros com 96% de índice de satisfação, pelos pacientes do SUS, de convênios e particulares. O Hospital foi construído para tratar a tuberculose, o maior problema de saúde pública na época. Ao longo dos anos, o Baleia evoluiu e ampliou sua atuação para mais de 25 especialidades.


E mais recentemente?

O Mais Baleia, cirurgias eletivas para quem não pode pagar plano de saúde e não quer esperar o longo tempo do SUS. Pagamento em dez vezes.


Qual tua definição de filantropia?

É ajudar alguém, sem olhar a quem. É zelar, cuidar de quem precisa.


O mineiro e o brasileiro são filantrópicos ou precisam de um empurrão?

As classes menos favorecidas são mais solidárias, talvez por saberem a importância de serem ajudadas na hora do aperto. Felizmente, as empresas hoje se dão conta do diferencial competitivo das ações de responsabilidade social. A Drogaria Araujo e o Epa Supermercados são belíssimos exemplos. A própria sociedade já está mais exigente e consciente.


O que falta para mais filantropia e voluntariado?

A doação de recursos é sempre bem-vinda. Somos bem quistos pela sociedade mineira. Infelizmente, no Brasil, temos uma cultura que deixa para o poder público toda responsabilidade de resolução dos problemas da sociedade. Uma visão cidadã mais madura toma para si essa tarefa.


Um dos grandes problemas da saúde no Brasil é dinheiro. Para isso servem os parceiros?

Sim, graças a grandes parceiros, o Baleia mantém serviços cruciais para a população do Estado, como a pediatria. Com o apoio da sociedade mineira conseguimos caminhar.


Que prêmios o Baleia acumula?

Quase 50. Em 2019 fomos reconhecidos como uma das 100 melhores ONGs do país para se doar. O prêmio foi dado pelo Instituto Doar, O Mundo Que Queremos e a Rede Filantropia.


E sobre o Instituto Doar?

Uma instituição idônea, que premia a quem é transparente.


O que espera de 2020, pelos 75 anos do Baleia? 

Mais parcerias com o setor privado. Que o hospital amplie sua capacidade de atender os mineiros, salvando vidas. Neste mês inauguraremos uma ala totalmente doada pela SPL Engenharia e Direcional Engenharia.