Paulo Navarro | sábado, 19 de dezembro de 2020

Foto: Divulgação/Primus Turismo

A arma da memória

Em 1975, conversando num bar, Milton Nascimento e Fernando Brant tinham “saudade dos aviões da Panair”. Porque levaram “um susto imenso e tudo era pequeno nas asas da Panair: A primeira Coca-Cola foi, me lembro bem agora, nas asas da Panair. A maior das maravilhas foi, voando sobre o mundo, nas asas da Panair”. Para Humberto Vieira, diretor-presidente da Primus Turismo, a conversa é outra.

Humberto, saudade dos aviões da Panair, da Varig ou da Vasp?

Os da Panair eu não me recordo, pois ainda era criança, mas os da Varig e Vasp, com certeza! Trabalhei alguns anos na Vasp, onde iniciei no mercado de viagens.

Quando nasceu a Primus? Uma “Senhora de 40 anos” já? 

Em 1979, depois que deixei a Vasp, época muito difícil, inflação muito alta, o "depósito compulsório" sobre viagens, compra de dólares, carro e gasolina.

2020 é a pior dentro destes 40 anos, mesmo com o 11 de Setembro?

Na minha opinião, sim. As outras crises eram mais localizadas, tínhamos alternativas! Mas esta não, foi mundial, parou tudo e, mesmo com uma pequena retomada, ainda vamos gastar muito tempo pra voltarmos ao que era.

2020 e 2021 serão os anos do turismo doméstico?

A princípio é o que se desenha, mas acredito que no segundo semestre de 2021, depois da abertura dos países e principalmente das vacinas, retomaremos as viagens internacionais.

Por falar em Turismo Interno. Uma boa viagem no Brasil era ou é mais cara que uma viagem ao exterior?

A conversão do dólar ajuda a equilibrar este valores, mas o custo/benefício ainda faz as viagens ao exterior mais baratas.

No Brasil, preços de hotéis e passagens aéreas inviabilizam o turismo doméstico? 

Se avaliarmos o custo benefício, paga-se mais caro para viajar no Brasil. As passagens têm seu valor flutuante e, de acordo com a oferta/procura, os hotéis nas altas temporadas são mais caros.

O Brasil ainda é mal divulgado?

Não, atualmente nossos principais destinos são muito mais conhecidos. A Internet e os portais de turismo fazem o Brasil ser bastante conhecido no exterior.

A Disney é uma doce lembrança?

Por enquanto será! As viagens em grupos deverão ser repensadas, as pessoas não querem aglomerações e as viagens em família tendem a ser a melhor escolha para este destino.

A crise está passando, está no meio ou pode voltar?

A crise está passando e em breve vamos nos adaptar a um novo modelo de viagem. Seguiremos um forte protocolo nas companhias aéreas e nos hotéis. Os países farão exigências, como certificado de vacina ou prova de imunidade à Covid-19.

Qual a grande lição de 2020?

É que devemos estar sempre preparados para alguma mudança no nosso modelo de vida. O mundo está muito vulnerável e sensível a crises e temos que estar sempre atentos a qualquer movimento.

Só para “chatear”, onde você vai passar o Réveillon?

Ainda não sei, mas talvez uma praia no Brasil, mas seguramente com a família e as netas.