Paulo Navarro | sábado, 18 de setembro de 2021

Entrevista com a advogada Luciana Atheniense. Foto: PRG Comunicação

Boa Viagem!

Tem coisa melhor que viajar? Até tem, mas, aqui, não vem ao caso. Se viajar é ótimo, em todos os sentidos, perder uma viagem é péssimo. O que fazer diante 1001 problemas possíveis e imprevistos, surpresas desagradáveis? Seus problemas acabaram com a entrevistada de hoje, a advogada e especialista no tema, Luciana Atheniense, 22 anos de praia, montanha, terra, mar e ar. Apertem os cintos!

Luciana, você é advogada, especialista em Direito do Turismo. Está bem definida assim?

22 anos de experiência, publiquei quatro obras sobre, mas antes de tudo, sou especialista em direito do consumidor.

Quais os vários problemas mais comuns e mais graves?

Na última década houve aumento de viagens nacionais e internacionais; aumento proporcional dos problemas. Percebo que os problemas mais recorrentes são atrasos, perdas de conexão e extravios de bagagem. Já os mais graves ocorrem quando o passageiro é obrigado a permanecer muito tempo no exterior devido ao cancelamento da viagem sem obter nenhuma assistência da empresa contratada.

Estes problemas se agravaram com a pandemia?

Muitos cancelamentos e pedidos de restituição, sobretudo em relação às viagens internacionais, mas, destaco a pouca agilidade e eficácia da comunicação das empresas do setor.

Tem um segredo para “Viajar Direito”?

Documentar, sempre! Guardar “folders” e salvar arquivos com os serviços ofertados. Tirar fotos dos serviços oferecidos. Em caso de cancelamento ou atraso de voo, solicitar sempre um documento que confirme a alteração do voo. A companhia somente disponibiliza este documento mediante a solicitação do passageiro.

Quais as medidas emergenciais para a aviação na pandemia?

As medidas tiveram como objetivo reduzir danos, garantir um prazo razoável para as companhias efetuarem reembolsos e permitir que os passageiros remarcassem suas viagens sem prejuízos. Há uma tendência de estimular o consumidor a remarcar a viagem, ao invés de rescindir o contrato e obter a restituição do valor. Estas medidas vão até 31 de outubro, depois devemos aguardar o governo manifestar se haverá ou não a prorrogação.

O que o consumidor deve fazer?

É aconselhável tentar, no primeiro momento, resolver seu problema com a companhia aérea ou mediante a intervenção da agência de turismo, além de formular uma reclamação nos órgãos de defesa dos consumidores. Caso não obtenha êxito é possível recorrer à justiça, neste caso, o ideal é contar com assessoria jurídica especializada.

Que mudança veio para ficar depois da pandemia?

Acredito que o uso de máscaras e realização de testes ainda serão exigências até que as autoridades sanitárias manifestem o contrário. Algumas medidas de higienização podem permanecer. Mas, de modo geral, acredito que a pandemia deixou alguns ensinamentos e provocou mudanças que vão ficar pra sempre, como a necessidade de melhoria dos canais de comunicação com o cliente.