Paulo Navarro | sábado, 17 de novembro de 2018

Foto: Camila Oliveira Fotografia

BH e o mundo

No Centro Cultural Banco do Brasil, muito é muito pouco. É mais que cultura e muito mais que Brasil. É plural como nosso entrevistado de hoje, Marcelo Nonnenmacher, gerente geral do CCBB-BH. “Gaúcho de Brasília”, pelas respostas, está aprendendo rapidamente a ser também mineiro. Principalmente ao falar de futebol. Menos para os torcedores do América, que não vão gostar do elogio “Ameriquinha”.


Marcelo, você é gaúcho, mas veio de Brasília. Do que mais gosta em BH? 

Uma cidade grande com costumes de interior. Gosto muito desse jeito mineiro de se relacionar. Me encanta, em BH, você ter tudo próximo; espaços culturais, restaurantes, mercados, escolas, faculdades. Aqui, faço tudo a pé. Você morar em uma capital e não utilizar carro é simplesmente sensacional.

Recentemente, o CCBB recebeu a exposição “Museu do Futebol na Área”. Você já tem um time mineiro?

Claro, aqui em BH torço pelo Ameriquinha, pelo Galo e pelo Cruzeiro (rsrsrs). Sou Gremista de coração e a rivalidade aqui em Minas é muito parecida com a do Rio Grande do Sul. Mineiros ficam mais fortes quando jogam contra o Internacional...

Cinco anos de CCBB-BH e vasta programação. Quais os momentos mais significativos?

Já são cinco anos e a cada ano que passa se firma como um dos espaços culturais mais visitados de Minas e do Brasil. Já aparecemos entre os 10 mais visitados do país em 2017, com 775 mil visitantes, e pretendemos fechar 2018 com mais de 820 mil visitantes. Cada projeto que estreia no CCBB é sempre significativo, mas oportunizar o contato da população mineira com obras de grandes artistas mundiais, como Basquiat, para citar um exemplo recente, é fantástico.

A entrada gratuita para as exposições é o maior incentivo para a arte? Mesma estratégia com os preços populares para as peças?

Acessibilidade está no DNA dos CCBBs. O do Rio completará 30 anos em 2019 e sempre procuramos oferecer cultura de forma simples e acessível. Temos planos para concretizar a reforma dos 4º e 5º andares, criando sala de cinema e ampliando o espaço de exposição. Temos a expectativa de realizar excelentes projetos. Em fevereiro, abriremos a exposição “Raiz”, do chinês Ai Wei Wei. E por aí seguiremos em 2019.

A mostra, em cartaz, “Construções Sensíveis”, o que é?

A arte abstrata latino-americana, com obras da coleção Ella Fontanals-Cisneros. É um contato com obras de artistas que fazem parte da história da arte abstrata na América Latina, despertando a sensibilidade e o entendimento do público.

E a peça, até dia 12, o musical “Suassuna – O auto do Reino do Sol”?

É um musical premiado, em homenagem aos 90 anos de nascimento de Ariano Suassuna. O CCBB buscou reafirmar seu compromisso com a valorização da cultura nacional.

Qual o perfil do público do CCBB-BH? 

Queremos toda a população, temos uma papel social e podemos contribuir para a formação e o conhecimento cultural de toda a comunidade.