Paulo Navarro | sábado, 16 de maio de 2020

Foto: Arquivo pessoal/Divulgação

Jovial Juventino

Nosso entrevistado apresenta-se: Juventino Gomes de Miranda Filho, “cidadão, nascido em Salinas, rincão do norte-mineiro; aprendiz das coisas da vida; apaixonado pelo conhecimento, pela música, Direito, Magistério; preservador de grandes amizades e de profunda admiração, amor e gratidão por minha mulher, Vanessa”. Juventino só esqueceu um lado enorme de sua biografia, o de sobrevivente.

Quem é o advogado Juventino?

Lutador pelos operadores do Direito, em especial os advogados. Um sonhador! Matar o sonho é aniquilar a humanidade. Imprimir realidade ao sonho é arquitetar a construção de um mundo melhor! É realizar um cenário onde a justiça seja conquistada; a beleza e a verdade sejam realizadas.

Como é ser formado pela UFMG; professor na PUC?

A Faculdade de Direito da UFMG é um celeiro nacional, formador de humanistas. Temos mesmo a solenidade dia 10 de dezembro, dia da Declaração Universal de Direitos Humanos (da ONU). Lá, tudo conspira para amar a liberdade. A Faculdade de Direito da PUC é meu solar; mais de 40 anos de magistério e onde aprendi a amar o Direito.

Qual a especialidade do Juventino Gomes de Miranda Filho Advogados?

Direito Civil: obrigações, contratos, relações familiares, posse e propriedade e direito das sucessões.

Falemos agora da vida. Como foi o transplante de pulmão aos 70 anos?

Longa história. Fibrose pulmonar idiopática, enfisema e asma, em 2016, sem tratamento. Passamos a pesquisar e tentar o transplante. A idade, um empecilho. Usei aparelho de respiração quase três anos. Conseguimos que a Santa Casa de Porto Alegre se dispusesse a avaliar-me. 78 exames! Mudamos para Porto Alegre em 2018. Tenho dois aniversários 4 de fevereiro de 1948 e 28 de março de 2019, dia do transplante.

Encontros marcados temos muitos. E em seu livro “Reencontro com a Vida”? Qual a sensação?

Esperança e fé em Deus! Altivez e grandeza no mar de sofrimentos. “O que mais importa é o material de que é feita a vontade e não o barco” – como bem disse Fernando Pessoa. Dar a volta por cima, reencontrando com a vida vaticinada como finda! A sensação é a de viver para os outros, porque o outro me deu a vida, sob os auspícios divinos!

O que você mais valorizou com este reencontro?

A beleza da vida iluminada por esta outra luz, diferente daquela porta luminosa que me acenava durante o longo e penoso procedimento cirúrgico.

Agora, com o coronavírus, tem algum conselho?

Além de seguir as precauções do Ministério da Saúde, Deus! Sua proteção, confiança em nós mesmos, que é mensageira da fé. E a esperança de que sobreviveremos à pandemia alivia os temores, os sofrimentos e a angústia.

Finalmente, a lei máxima é andar com a fé?

Até popularmente a canção de Gilberto Gil garante que “Andar com fé eu vou, que a fé não costuma ‘faiar’”. E no dialeto lombardo: “Istra tem va, piú no ti’raddrizzo” ou “Ide já, não falai mais, não é preciso”.