Paulo Navarro | sábado, 16 de janeiro de 2021

A atriz Paula Sayuri Takizawa Abrahão. Foto: Thiago Teotonio

“Sakê kom Kibe”

Paula Sayuri Takizawa Abrahão é um misto quente de Japão, Líbano e Brasil. Na época do Twitter, tanto espaço, foi “um luxo”. Artista, atriz que faz de tudo um pouco: de “do it yourself” a instalar maçanetas. Produz, dirige e edita seus vídeos. Aprende a discotecar, escreve poesias e letras de músicas que nunca gravou. Seu “hobby” secreto é escrever “trap” e “funk”. Seu Instagram: @_s4yur1.

Paula, férias em Barbacena: saudade da “terrinha” ou fuga da Covid-19?

Saudades do meu pai, da doença não há fuga. Mas felizmente estamos bem. Isso é sorte e sei que muitos não tiveram isso. Dou valor.

Mora em São Paulo e gosta?

Amor e ódio.

Muito trabalho ou a pandemia também abreviou, cancelou planos e projetos?

No começo pareceu cancelar tudo, mas agora sei que foi melhor assim. Aprendi e desenvolvi outras habilidades dentro do meu mercado e foi graças a isso. Depois de três meses praticamente parada, os trabalhos voltaram a normalizar dentro desse "novo normal" e hoje eu trabalho muito de dentro de casa pra conseguir os trabalhos. Mas amo e faço com a maior alegria.

O mais recente foi o sorteio da mega sena da Virada? Como foi?

Achei marcante porque tivemos de gravar de máscara, mesmo depois de testar negativo antes da gravação. Essa imagem poderia estar num livro de história daqui uns 100 anos.

Como foi 2020 e o que espera de 2021?

2020 foi um ano de muita evolução e ninguém na minha vida precisou morrer pra que isso acontecesse. Isso é a sorte que mencionei na primeira resposta. Dou valor e infelizmente muitos não reconhecem esse valor ou não o tiveram. Pra 2021 espero continuar como aprendi em 2020: sem expectativas e aceitando o que vier. É melhor viver assim.

Do que mais sentiu falta neste ano tão “ímpar” que foi 2020?

Pra mim faltou nada, mas pra muitos faltou amparo. Principalmente do governo.

A atriz Paula Sayuri Takizawa Abrahão. Foto: Thiago Teotonio

Você é uma mulher bonita e orgulhosamente feminista?

Bonita é relativo. Pode-se dizer que nasci lutando. A cultura do Japão é extremamente machista e desde o dia em que me lembro, sempre discordei e me impus contra alguns modos ou crenças que me ensinavam. Ter vivido casos de violência só me confirmaram que minha luta era certa. Cada mulher tem os seus motivos pra lutar dentro da sua vivência pessoal, então nascer mulher (mesmo que no corpo de um homem) deveria ser o que forma esse movimento. Então se isso me torna uma feminista, sim. Caso contrário, eu só nasci mulher.

Você participou ativamente, inclusive como modelo, no episódio do “estupro culposo” de Mariana Ferrer. O que pensa sobre o assunto?

Eu, literalmente, escrevi tudo que pensei no meu corpo em algumas fotos já tiradas e lancei no meu Instagram. Acho importante se posicionar. Hoje foi com ela, amanhã pode ser com qualquer uma de nós.

Casos de violência contra as mulheres aumentaram ou apenas ficaram mais visíveis no Brasil?

Quem veio primeiro, o ovo ou a galinha?