Paulo Navarro | sábado, 15 de junho de 2019

Foto: Edy Fernandes

Régis explica

Brincadeira! Nem Freud explica os labirintos da mente humana, que ergue e destrói coisas belas. Mas Reginaldo “Régis” Teixeira Coelho – psicólogo, especializado em Análise Bioenergética pelo International Institute for Bioenergetic Analysis (NY-EUA), em Cinesiologia Aplicada pelo The Three in One Concepts (Burbank-EUA), em Psicodrama e Dinâmica de Grupo e muitos etc. – pode ajudar. E muito!

Régis, primeiro, uma pergunta bem amadora: qual a diferença entre psicólogo, terapeuta, psicanalista e psiquiatra?

Terapia vem do grego “voltar a ordem do divino”. Terapeutas procuram restaurar nosso ser. Psicanalista vem da psicanálise, uma abordagem do inconsciente proposta por Freud no início do século 20; uma revisão de como montamos nosso Ego ou imagem a partir das experiências infantis. Psicólogos fazem psicanálise e, depois, tornam-se psicanalistas. A psiquiatria é medicina, princípios mecanicistas e bioquímicos que funcionam bem em processos patológicos indesejáveis pessoal e socialmente.

Por que seus amigos te chamam de “bruxo”?

Porque sempre estudei o budismo, xamanismo, hinduísmo, alquimia. Para um mundo pragmático, mecanicista e racionalista, sou um bruxo mesmo.

O que acha da frase: “O neurótico constrói um castelo no ar. O psicótico mora nele. O psiquiatra cobra o aluguel”?

Uso com os clientes que não querem melhorar, pontuo que vou cobrar aluguel um tempão, aí eles caem em si.

O homem é triste porque morre ou porque vive?

Não acho o homem triste. Ele tem momentos de tristezas em perdas e separações.

E as drogas? Você que trabalha e ajuda muitos dependentes...

É um processo de substituição inconsciente. No alcoolismo, por exemplo, são pessoas que viveram um grande processo de falta de vínculo com a mãe nos primeiros anos de vida e tentam substituir com uma situação que relembra o líquido amniótico na placenta onde estivemos por nove meses. A embriaguez é querer retornar a esse lugar. Sujeito bêbado sempre chora o contato com a mãe. Na cocaína, essa desvinculação foi com o pai. O sujeito busca uma substância que o torna, forte, aparentemente viril e corajoso.

Ainda sobre drogas e outras válvulas de escape, um pouco de música: “É sempre bom lembrar que o copo vazio está cheio de ar, que o ar no copo ocupa o lugar do vinho, que o vinho busca ocupar o lugar da dor...”

Preencher com algo, justamente porque não suporta o vazio de não estar com o outro e nem consigo mesmo.

Na sua terapia da Constelação, o homem é um universo cercado de pessoas que o influenciam e podem ajudá-lo?

Todos os fenômenos são interdependentes. A independência ou dependência são momentâneas porque todos nós fazemos parte da totalidade

Tudo é sexo, dinheiro ou solidão?

Pode ser pra quem tem ilusão a esse apego. O que faz falta é o olhar pra si. Daí pode-se compreender os outros e o mundo, já que todos estamos na totalidade.