Paulo Navarro | sábado, 14 de novembro de 2020

Foto: Divulgação/SBEM-MG


Açúcar X Afeto

Hoje é o Dia Internacional do Diabetes. Falta uma semana para o maior congresso mineiro de Endocrinologia e Metabologia – o 18º Congremem, dias 20 e 21. O Novembro Diabetes Azul quer a prevenção e os cuidados com o diabetes, doença que ficou ainda mais grave nesta pandemia. Dr. Adauto Versiani é o presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – Regional Minas Gerais (SBEM-MG).


Adauto, novembro é azul? 

Sim. As cores têm papel fundamental nas campanhas. E o Novembro Diabetes Azul foi criado para conscientizar sobre esta doença crônica que atinge milhares de pessoas. O símbolo do diabetes é um círculo azul.

Novembro Azul é ou era o da próstata? 

A Novembro Azul foi lançada pela Federação Internacional de Diabetes (IFD) em 2007. A do Câncer de Próstata, alguns anos depois. Para diferenciar uma da outra, modificaram o nome para Novembro Diabetes Azul. Neste ano, a campanha tem como tema “Enfermeiros fazem a diferença”.

Ter diabetes não é sentença de morte, mas exige muitos cuidados, correto? 

Exatamente. Se diagnosticado e tratado precocemente, a pessoa tem uma qualidade de vida igual normal. Caso contrário, aumenta em duas a três vezes as chances de uma morte por infarto ou derrame. É a principal causa de cegueira no país, de amputação não traumática e de hemodiálise.

Quase 17 milhões de diabéticos no Brasil? 

Cerca de 9% da população, e o número está crescendo em função dos maus hábitos alimentares, do sedentarismo, do sobrepeso, da obesidade e do estresse. Esse número poderia ser menor com atividade física e alimentação saudável.

Qual o principal sintoma? 

Na maioria dos casos, o diabetes é silencioso. Mas pode apresentar sintomas, como muita sede, boca seca, perda de peso, desidratação, fadiga, vista turva, muita vontade de urinar, falta de interesse e de concentração.

Quais os principais cuidados? 

Alimentação saudável e peso ideal; atividade física, consultas de rotina, manter o controle glicêmico e os cuidados básicos de higiene, principalmente nos pés para evitar feridas.

Sedentarismo, obesidade e má alimentação são os vilões? 

São fatores de risco para o surgimento da doença, que é uma das principais causas de mortalidade relacionadas a doenças crônicas.

Este trio maldito é “primo” da Covid-19? 

Se é primo não sei, mas andam de mãos dadas. Quem tem diabetes descontrolado e obesidade tem mais chance de ter as formas graves da Covid-19.

O Brasil é tão obeso quanto os EUA? 

Os EUA têm mais obesos, mas as taxas brasileiras preocupam. Hoje, 26,8% dos brasileiros estão obesos e 61,7% com sobrepeso. Ou seja, dois terços, acima do peso.

O que debaterá o 18º Congremem? 

Diabetes, obesidade, dislipidemia e doenças da hipófise, gônadas, tireoide e glândulas adrenais. Ele será online, com a participação de especialistas de todo o Brasil. Mais informações no site congremem.com.br.