Paulo Navarro | sábado, 13 de novembro de 2021

Entrevista com a artista plástica Érica Lorentz. Foto: Luiz Felipe Lorentz

A Gêmea do Ovo

Uma linda mulher, uma linda artista e uma linda ideia não poderiam resultar em outra beleza: uma linda exposição! Érica Lorentz Ribeiro, de Teófilo Otoni, atualmente, “decora” Belo Horizonte. Brilha no desenho, pintura, fotografia, escultura e até no bordado. A mostra, “Nasci de nOvo” reúne 29 trabalhos inéditos e fica em cartaz até 29 de janeiro de 2022, no Museu de (+) Artes e Ofícios.

Érica, primeiro, parabéns pelo título da exposição. Tem rápida explicação além do óbvio?

Obrigada! Sim, depois de ficar 20 anos sem expor, estou voltando aos museus e galerias.

São quantos trabalhos, em quantas técnicas? Um “ovo” não bastava?

São 29 trabalhos. Várias técnicas: aquarelas, acrílica sobre tela, colagens, fotografias, esculturas, objetos, “assemblage”, bordados. Bastava, se eu tivesse pouca coisa para falar. Rsrsrs.

Estes “ovos ou ninhos” são frutos da pandemia?

De certa forma sim. Passei todo o período da pandemia “chocando” esta exposição que estava há tanto tempo, “incubada”.

Esta exposição é também a confissão da preferência da Érica entre a “artista plástica, bailarina, coreógrafa, cenógrafa e figurinista”?

Sou uma artista múltipla, amo muito tudo que faço, mas estou numa fase que tenho flertado mais com as artes visuais.

Ovo é nascimento, mas no caso da exposição está mais para o contrário: “dores, fracassos, medos, inseguranças, frustrações, bullyings”. Por que?

A simbologia do ovo dentro da exposição é o renascimento. “O simbolismo do ovo está associado à fertilidade, à eternidade e à renovação. Palavras não ditas, amores partidos e repartidos, bonecas quebradas, noites perdidas, quartos vazios, sapatos apertados, críticas ferozes, marcas do tempo”. Para renascer precisamos morrer. Ressignificar cada pequena morte dessas é um dos fios condutores da minha pesquisa artística.

Tudo bem mulher, bem feminino.

“Qual mulher não guarda tudo isso ou parte disso nas suas gavetas? Essa exposição me abre as portas para entrar no lugar onde sempre estive. E espero trazer mais mulheres para esse contexto de reflexão e renascimento”.

E o lado “fertilidade, eternidade e renovação”? Está equilibrado?

“Criar mata a morte”, também neste contexto todo artista é eterno. Não existe solo mais fértil que uma mente criativa. Isso me inclui!

No mais, como foi a pandemia? Uma omelete?

A pandemia foi produtiva. Uma omelete recheada de uma produção artística frenética, recheada de muito estudo e pesquisas. Estou começando a degustar esse omelete!

A criatividade continuando chocando novos ovos para 2022?

Em 2021 o ninho cabia ovos de codorna. 2022 o ninho será para ovos de avestruz!

O que achou da Lei Aldir Blanc neste período?

Foi um bom incentivo como ponto de partida. A verba distribuída não foi um valor significativo, mas sei que muitos artistas foram contemplados. De qualquer forma me ajudou um pouco e eu fiquei muito grata de ter recebido.