Paulo Navarro | sábado, 11 de agosto de 2018

Foto: Mariel Pelli


Exemplo exemplar

Betânia Tanure é doutora pela Brunel University (Inglaterra), Postgraduate in Management Consulting na Henley Management College (Inglaterra) e psicóloga (PUC/Minas). Professora convidada do Insead, Trium e London Business School. Conferencista no Brasil e exterior, atua em projetos de empresas nacionais e internacionais. Possui diversos livros publicados e é colunista do “Valor Econômico”.


Quais os desafios da mulher executiva?

 São diferentes a cada fase profissional e a cada momento da vida pessoal. A conciliação com a maternidade é o maior.

Você é mãe. Tem sido possível essa conciliação?

Sou mãe de dois filhos. A maternidade é uma bênção; a família, alguns irmãos de alma são o porto seguro. É possível conciliar tudo, sem dúvida, com alguns sacrifícios. O fundamental é compreender os seus valores e o que está disposta a perder e a ganhar, sem sofrimento e com mais leveza.

Muito sofrimento e estresse?

São cinco as principais fontes de tensão e estresse (ou de prazer). O difícil equilíbrio de tempo entre a vida pessoal e a profissional: o tempo nunca é suficiente e, sem esse equilíbrio, há muito estresse. A competência: tenho ou não? O mundo dos negócios muda continuamente, em ritmo acelerado. Há o medo de não conseguir acompanhar as mudanças, que são constantes e profundas: estabiliza-se uma mudança e outra já entra no cenário. A ausência de um propósito: somada à divergência de valores entre empresa e indivíduo. O teatro organizacional: pensa-se uma coisa e fala-se outra. Do ponto de vista pessoal, estou sempre em busca do razoável equilíbrio...

Há preconceito?

Se compararmos o que acontecia há cinco, dez, 15 anos atrás e o que ocorre hoje, vemos que a situação melhorou bastante. Mas os preconceitos ainda existem. São mais fortes no início de carreira; mulheres em postos de alto comando ainda são poucas. E mais: algumas mães decidem desacelerar a carreira; outras, parar de trabalhar.

Há uma liderança masculina e uma feminina? A mineira, por exemplo.

As características da liderança das mulheres no topo da hierarquia são típicas da liderança masculina: racionalidade e “dureza”. Isso incomoda, mas elas entendem que, se não assumem certos comportamentos, não conseguem posições de comando. É uma percepção clara de preconceito. O estilo natural da maioria das mulheres é o que denomino de “agridoce”: foco na racionalização e na revitalização. Minas é a síntese do Brasil, mas não nos esqueçamos entre as montanhas.

Você participa do Grupo Mulheres do Brasil...

São mulheres de vários segmentos da sociedade e de todo o Brasil, que discutem temas importantes para o país e agem para melhorá-lo. As 17 mil mulheres são lideradas por Luiza Trajano, presidente do Conselho do Magazine Luiza. Tenho a alegria de fazer parte da diretoria do Mulheres do Brasil em nível nacional. É muita gente trabalhando para um país melhor e mais justo.