Paulo Navarro | sábado, 11 de abril de 2020

Foto: Valnice Gonçalves

Olhos nos olhos

Ricardo Guimarães é um oftalmologista nato. “Fui escolhido pela medicina”. Somou o professor, o educador, o empresário, perfazendo um grande cientista; literalmente, um homem de visão, “nosso sentido mais poderoso”. E alguém há de discordar? Uma visão particular que saiu de Patrocínio (MG), passou pelo mundo e voltou a Minas, como um microscópio, um binóculo, uma luneta, um farol, uma luz.


Ricardo, longa jornada de Patrocínio até BH e o mundo?

Patrocínio, Brasília e BH, aprovado de primeira no dificílimo vestibular de Medicina. Sempre trabalhei e estudei, morei em 16 endereços em BH. Me acostumei a esta vida corrida. O melhor da caminhada é a construção de novos caminhos.

Por que escolheu a oftalmologia?

Fui escolhido pela medicina. Fui monitor de cirurgia e convivi com os professores, vi as dificuldades enfrentadas do outro lado. Do lado de quem lidera. Fiz residência de cirurgia, passei pela psiquiatria e clínica médica, quando conheci o professor Hilton Rocha; um sol de conhecimento, de competência, elegância, que me despertou a paixão pela oftalmologia. Tenho fascínio pela visão.

E o Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães?

Continuei os estudos no exterior. Na França, Inglaterra e Estados Unidos. Quatro anos de pós-doutorado. Trouxe muitos conhecimentos, novas técnicas. Rapidamente fiz boa clientela e construí o Hospital de Olhos de Minas Gerais, que já nasceu grande e com uma clientela nacional. A oftalmologia muda muito e demanda constante renovação.

Além da equipe, o apoio incondicional e profissional da esposa, Márcia?

Márcia sempre me acompanhou e tem um conhecimento muito vasto em várias áreas da oftalmologia, onde, certamente, está entre as maiores culturas do Brasil.

Como é a oftalmologia em Minas, no Brasil?

A do Brasil, sempre entre as melhores. A questão é que todas as áreas da medicina sofreram muito com a crise econômica e com a atitude destrutiva do último Governo que parecia ter um preconceito contra o médico; péssima administração da saúde pública. Perdemos a liderança, ficamos muito atrás. Temos longo caminho para recuperar posições. Não só na oftalmologia, mas em toda a medicina.

O hospital trata todos os problemas de visão?

É centro de referência de atuação multidisciplinar, com especialistas de várias áreas. Nossa maior demanda é para os tratamentos de catarata e cirurgia refrativa.

Minas ainda é líder em oftalmologia no Brasil?

Não, mas continua se destacando quando o tema é avanço no conhecimento. O Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães continua sendo uma referência nacional.

Quais os planos para 2020 em diante?

Tenho duas filhas oftalmologistas assumindo a liderança no HOlhos. Tenho me dedicado a pesquisas na área de visão e na educação. À frente da Faculdade de Medicina FASEH, nota máxima no MEC e da faculdade de engenharia Feamig. Duas referências no Ministério da Educação.