Paulo Navarro | sábado, 10 de outubro de 2020

Santé & Saúde!

Como adiantamos aqui, dia 7, com detalhes; em 2010, o hoje gerente de Comunicação Enológica da Moët Hennessy do Brasil, François Hautekeur, participou de “Uma Aventura no Mar Báltico”, degustando 150 garrafas de champagne, encontradas na carcaça de um navio que afundou em 1870. Entre elas, 47 da hoje planetariamente famosa marca francesa Veuve Clicquot. Perguntamos a François, que mora em São Paulo, onde gostaria de viver outra aventura, mas no nosso atlântico oceano. “No Caribe”. Perguntamos muito mais e ele respondeu. Antes, dois lembretes para sempre: é “o” champagne. E o champagne é um vinho.

François, bastou a paixão para trocar a engenharia pelas delícias e verdades do vinho ou teve algo mais? 

O que tem de mais forte na vida que a paixão?

O vinho e o champagne estão intimamente ligados às comemorações. Faltou comemoração em 2020 ou sempre há o que comemorar? 

Todos os fins de semana, com a minha esposa, bebemos vinhos espumantes para celebrar a vida! Hoje, sem doença, com um trabalho que adoramos... Isso é suficiente para celebrar!

O que um francês de Lille pensa de São Paulo e do Brasil? 

Gosto muito do clima do Brasil e da simpatia dos brasileiros. Além disso, São Paulo é uma cidade incrível para comer: diversidade e qualidade dos restaurantes!

Como é e está o mercado brasileiro para a LVMH? 

Pelo grupo inteiro não sei, só posso falar da parte de vinhos & destilados (MH). Nesse ponto, este país tem um potencial de crescimento gigante.

Qual o carro chefe dos espumantes MH? 

Aqui no Brasil, sem dúvida, o Chandon do Brasil é o nosso carro chefe. No mundo, Chandon e Moët & Chandon são os líderes em suas respectivas categorias.

É verdade que a antiga taça de champagne, antes da flute, foi moldada nos seios da rainha Maria Antonieta ou nos da imperatriz Joséphine, de Napoleão? 

Na verdade, foi de um seio só (esquerdo ou direito, não conheço este detalhe) da Maria-Antonieta, sim. Se chama “la coupe” (a copa, as antigas e largas taças de champagne).

Qual é a favorita dos brasileiros Chandon, Dom Perignon, Krug, Moet & Chandon, Ruinart ou Veuve Clicquot Ponsardin? 

Falando em volume, é Chandon, e de longe! Agora, falando de champagne é Veuve Clicquot Ponsardin.

Quem são os maiores clientes da LVMH e da MH? Os chineses? 

Para a MH, são os Estados Unidos, de longe, o número 1. Mas acho que para o grupo LVMH inteiro também!

É verdade que as comemorações com champagne na Fórmula 1 começaram na França? 

Não sei se foi na França, mas eu sei que foi com um frasco de Moët & Chandon!

Um famoso jornalista brasileiro, Zózimo Barrozo do Amaral, já falecido, dizia que “enquanto houver champagne, há esperança”. Concorda?

É verdade que as borbulhas finas de um grande champagne geram um espirito de festa, têm algo mágico. O champagne é a bebida que mais tem feito falar as personalidades! Exemplos com Moët! A marquise de Pompadour (a favorita do rei Louis XV) disse: “O champagne é a única bebida que deixa a mulher linda depois de beber!”. Napoleão Bonaparte: “Na vitória eu mereço, na derrota eu preciso!”. E uma última, entre várias outras, de Oscar Wilde: “Só as pessoas sem imaginação não conseguem encontrar um motivo para beber champagne”.

Você já lançou alguma garrafa ao mar, como na música de Bernard Lavilliers, “Messageries Maritimes”, tipo “de Marselha até a China”? 

Ainda não. Prefiro evitar de poluir ainda mais o planeta.

O que torna um vinho tão especial? Tão memorável? 

O prazer sensorial que ele deixou no seu corpo, na sua alma e então na sua memória... Para sempre!

Além da vacina contra a Covid, o que espera de 2021, 2022? 

 Em 2021, uma explosão das vendas dos nossos espumantes... Para celebrar o fim da pandemia e, em 2022, um festão para celebrar os 250 anos da Veuve Clicquot! Aliás em 2023, Chandon comemorará meio século!