Paulo Navarro | sábado, 10 de agosto de 2019

Foto: Divulgação GSCBH

O provedor provador

O provedor da Santa Casa de Belo Horizonte, Saulo Levindo Coelho, exerceu 1001 funções, “culpa de sua versatilidade”. Aos 69 anos, continua mais ativo e múltiplo que nunca. Deu-nos pequena grande aula sobre a provedoria das Santas Casas pelo mundo português. Perguntado se voltaria à política, respondeu com sarcasmo e humor. E aviso aos navegantes: Saulo não é provedor, ele está provedor!

Quem é o Senador Levindo Coelho, que virou nome de avenida, no Barreiro?

Meu avô. Se formou em Farmácia, em Ouro Preto, e em Medicina, no Rio de Janeiro. Depois, foi prefeito de Ubá, senador estadual, deputado federal e, em 1945, se elegeu senador da República. Foi o primeiro secretário de Educação e Saúde de Minas.

E quem é o Saulo, pai de três filhos e avô de cinco netos?

O mesmo. Nunca deixo de dar atenção à família, sempre em primeiro lugar!

E quem é o principal Saulo? Administrador, auditor, diretor do BDMG, da Açominas, deputado federal, presidente da Telemig, entre outros?

Meu currículo mostra minha versatilidade (risos). Brinco que minha classificação é de “secos e molhados”. Pelos lugares em que passei, primei por ser versátil.

E o Saulo provedor da Santa Casa? O que vem a ser um provedor?

Tem origem na fundação das Santas Casas, em 1499, por Dona Leonor de Lancastre, rainha de Portugal. As Santas Casas foram as primeiras ONGs do mundo. Onde Portugal teve colônia, foram criadas Santas Casas. Recentemente foi realizado encontro de gestores das Santas Casas de todo o mundo, em Macau, China, pelos 450 anos da Santa Casa daquela espécie de distrito, numa região independente na China, colonizada por portugueses. O papel do provedor é “prover”. O responsável por conseguir recursos para a Santa Casa.

No caso da Santa Casa, tem que fazer milagres também, desde o ano 2000?

Não. No início de minha gestão tivemos um período muito difícil. Mas, depois, com uma equipe técnica qualificada, hoje vivemos uma estabilidade, tanto financeira quanto em relação a pessoal. Milagre, hoje, fazemos com os pacientes, graças à competência do corpo clínico e estrutura do hospital.

Por que a Santa Casa é também uma Santa Causa?

Porque atende 100% pelo Sistema Único de Saúde. Mais de 2,6 milhões de atendimentos por ano.

Como vai a Santa Casa financeiramente? Atende a quantos mineiros?

Estável. Em 2018, tivemos superávit. Atendemos moradores de mais de 600 municípios mineiros.

Mil Leitos SUS são suficientes ou precisam ser mais?

1.086 leitos. Não precisamos, a Santa Casa BH já é um hospital muito grande.

Quais os novos projetos do Grupo Santa Casa BH?

A Faculdade de Medicina. A da UFMG e da Ciências Médicas de MG nasceram na Santa Casa BH. É uma atividade superavitária, que pode contribuir muito para a receita do hospital.

O senhor pensa em voltar para a política?

Sempre me perguntavam. Hoje, respondo: “Penso, por isso não volto” (risos).