Paulo Navarro | quinta, 20 de maio de 2021

Ilha cheia de tesouros: Ana Cristina Oliveira, Alessandra Aragão, Patrícia Castilho e Tatiana Gontijo. Foto: Edy Fernandes

Falemos Turismo

Se você sonha com Cancun, atenção! Famosos destinos mexicanos podem entrar em “lockdown” nos próximos dias. Muitos brasileiros têm visitado esses paraísos nos últimos meses, inclusive para poderem entrar nos Estados Unidos, depois de um período de 14 dias de permanência no México.

Falemos atentos

Devido ao aumento de casos de Covid-19, o comércio opera com capacidade reduzida, 50%. Com fase vermelha, a região entrará em “lockdown”. Isso terá forte impacto na economia, dependente do turismo em 87%. Como isso pode acontecer de repente, quem tem planos de visitar Cancun deve ficar atento.

Soldados de Brancaleone

Enquanto isso, a Prefeitura de Belo Horizonte, Belotur e Sebrae Minas engataram a primeira no 2º Dialoga Turismo, artilharia do Turismo de Belo Horizonte. Com este exército e nos próximos meses, representantes de entidades, empresas, academia e órgãos ligados à atividade turística da cidade miram a retomada e desenvolvimento do setor. A programação, até julho, será “online”. Mais informações pelo link: portalbelohorizonte.com.br/dialogaturismo.

Soldados sobreviventes

Este segundo diálogo continua as ações de 2020, com “lives”, convidados de todo o Brasil e oficinas estratégicas combatendo os nefastos desdobramentos da pandemia e imaginando o futuro do turismo em Belo Horizonte. “Agora, chegou o momento de priorizar ações e construir um Plano Tático para orientar o planejamento e implementar medidas. O Dialoga é um projeto muito importante, justamente pelo seu caráter aberto e participativo”.

Soldados especializados

“A ideia é que os próprios representantes do setor priorizem ações a partir das diretrizes já estabelecidas, definindo estratégias e responsabilidades, com uma consultoria especializada. A construção colaborativa é a chave para a retomada”, explica Gilberto Castro, Presidente da Belotur.  As atividades do Dialoga Turismo serão divididas entre três eixos temáticos.

Soldados e fronts

São eles: Belo Horizonte Destino de Negócios e Eventos, Belo Horizonte Destino de Gastronomia, Patrimônio Arquitetônico e Cultura e Estratégias de Mercado para a Retomada. “O turismo é um dos setores mais impactados pela pandemia, com prejuízo estimado em R$161,3 bilhões, entre 2020 e 2021. É por isso que iniciativas como essa fazem toda a diferença para que os pequenos negócios do segmento continuem de portas abertas”, afirmou o superintendente do Sebrae Minas, Afonso Maria Rocha.

Soldados e guerra

O programa Dialoga Turismo se diz um espaço de escuta, reflexão e engajamento de representantes dos diversos setores relacionados à atividade turística de Belo Horizonte. Quer estabelecer um sistema de gestão coordenada e participativa, gerar conexões, negócios e estimular soluções criativas e inovadoras para o desenvolvimento turístico do município de Belo Horizonte.

Soldados desarmados

Sendo espaço de escuta, mais uma vez e de graça, algumas de nossas humildes considerações e dicas. Primeiro, depois da pandemia, é preciso considerar o fim do turismo de negócios que, até sem pandemia, nunca deu certo em BH. Se existe uma mudança radical, é essa. Com raras exceções, que empresa vai bancar passagem aérea, hotel, restaurante, etc., se seu funcionário pode resolver tudo “online”?

Prontos para qualquer retomada, Elberto Furtado Jr e Ricardo Santiago. Foto: Edy Fernandes

Curtas & Finas 

*Turismo de Eventos? Sim, estes, aos poucos, voltarão. Mas também nunca transformaram BH em destino turístico, mas sim no eterno “bate e volta”.

As pessoas vêm, ficam presas ao evento e, na cidade, apenas enquanto o evento dura. Às vezes, nem tanto. Por que?

Porque, tirando os bares e restaurantes que sobreviverão à pandemia, BH não tem nada a oferecer ao “estrangeiro”. Sejamos sinceros!

Gastronomia? Fala sério! Ninguém precisa sair de São Paulo ou de Manaus para comer pão de queijo. Como ninguém vem do Rio ou Florianópolis pela nossa famosa hospitalidade.

Algum mineiro viaja à Bahia ou Espírito Santo para comer moqueca? Não! Vai procurar o que não temos: mar, praia.

E o que tem BH? Nada! Nem o também citado patrimônio arquitetônico. Além de jovem, a cidade jogou no chão ou não conserva/recupera seus raros prédios históricos.

A solução, além de conversa de papel? Que revitalizem e recuperem, de verdade, o Centro, valorizado nas mais lindas cidades do mundo!

Que surjam festivais culturais mensais, como acontece ou acontecia em Tiradentes.

Que liguem BH às cidades históricas – e Inhotim - por locomotivas históricas e charmosas.

Por que não recuperar trechos do velho bonde, como acontece em Lisboa?

Que criem concursos artísticos para encher a cidade de estátuas, esculturas e monumentos dignos destes nomes.

Em BH, os pedestais são maiores que as estátuas, basta um exemplo, a de Tiradentes.

Que fortaleçam os acervos dos museus da cidade que não têm nada de atraente e sedutor.

Que os mesmos museus tenham condições de receber grandes mostras, com obras emprestadas de outros museus.

Que os espaços públicos sejam aproveitados com bares e restaurantes da iniciativa privada e estacionamento, no Parque Municipal, na Praça da Estação, etc.

Que o Centro da cidade ganhe o máximo de espaços verdes, atraindo moradores e comércio em geral.

Que incentivem pelo menos alguns cinemas de rua.

Que bares e restaurantes possam usar calçadas e quarteirões fechados, como a antiga Savassi.

Isso é apenas o começo, apenas sugestões que já cansamos de dar, de presentear.

Basta de esperar milagres. Para atrair turistas, precisamos de atrações, simples assim.

Se nossas autoridades viajassem mais, principalmente para o exterior, veriam o que realmente incentiva o turismo.

O que atrai é uma cidade bonita e verde, com arte, cultura e arquitetura, muito além da “Igrejinha e complexo da Pampulha”.

No mais, boa sorte e que o Dialoga Turismo não aconteça entre cegos, surdos e mudos.