Paulo Navarro | quinta, 14 de janeiro de 2021

Charme também é paixão, com Laura Neiva, Lilian Tunes, Cláudia Sabino e Ângela Dariva. Foto: Edy Fernandes

Ano sem fim

Bom dia, idolatradas leitoras e queridos leitores. Como já prevíamos, 2020 acabou no calendário, mas continua em 2021. Todos os problemas estão aí, incluindo o principal, a pandemia. Com ela, a polêmica e as dúvidas sobre a vacina, o fechamento da cidade, a crise econômica, fome, desemprego e morte. Manifestações e epidemia de informação e desinformação. Férias para quem pode e sobrevivência para o resto.

Fim e meio

Neste clima, uma reflexão para se o “normal” voltar, mesmo como “anormal”. Scott Galloway é palestrante, autor, empreendedor e professor de marketing na Escola de Negócios na Universidade de Nova York. Ou seja, sabe e ganha dinheiro. Numa palestra a estudantes, que viralizou nos últimos dias, Galloway fez uma das críticas mais instigantes e bem-humoradas sobre o que considera o pior conselho já dado a jovens estudantes: “siga sua paixão”.

Meio e mensagem

Galloway é conhecido por suas críticas ao poder monopolista das “Big Techs”. Mas quando se trata de temas como carreira, felicidade e autoconhecimento, o professor de marketing da NYU consegue ser ainda mais ácido. A desconstrução do clichê “siga sua paixão” é leitura obrigatória para jovens começando a carreira ou tentando descobrir o que fazer da vida.

Mensagem recebida

A seguir, um resumo e uma tradução livre: palestrantes são pessoas super interessantes e de sucesso, ou bilionários. Aparentemente, estes últimos têm insights sobre a vida. E muitas vezes terminam suas palestras com um dos piores conselhos aos jovens, o tal do “siga sua paixão”. Que besteira! Isso significa que esse jovem já é rico. E o cara aconselhando “seguir sua paixão” ganhou os bilhões dele com algo tão glamoroso quanto metalurgia ou fundição.

Recebida e praticada

O outro nome disso é trabalho: seu trabalho é encontrar algo em que você seja bom e depois gastar centenas de horas, e aplicar toda sua perseverança, sacrifício e dedicação para lidar com coisas difíceis e se tornar ótimo naquilo. Porque, depois de muitas lutas, batalhas, guerras, tempo e sacrifícios, a gente pode dar-se ao luxo de se apaixonar pelo que quer que seja. Ninguém cresce pensando “eu sou apaixonado por direito tributário”.

Praticada e fértil

Mas os melhores advogados tributaristas do país voam em aviões privados e têm uma escolha muito mais variada de parceiros amorosos do que eles merecem. E eles têm a oportunidade de fazer coisas interessantes que, por sinal, os tornam apaixonados por direito tributário. E aqui está o problema em acreditar que você deveria seguir sua paixão.

Dois apaixonados por seus trabalhos, Isabelle Fontes e Celso Picchioni. Foto: Arquivo Pessoal

Curtas & Finas

*“Seguindo nossa paixão” pelo texto, continuamos: Trabalhar é difícil e quando você se depara com obstáculos e se depara com a injustiça — atributo comum e garantido do ambiente de trabalho — você vai começar a pensar.

Pensar: “eu não estou amando isso, isso é desagradável e difícil, portanto não deve ser a minha paixão”.

Este não é o melhor teste para decidir a sua vida. Deixe suas paixões, como ser DJ, para os finais de semana!

*Agora, outro texto que fala da paixão pelo próprio trabalho que, quando é grande, faz com que esqueçamos até as outras paixões, como ser DJ ou ter uma coleção de carros.

“Ela nasceu na Hungria, estudou biologia. Não lhe deram bolsa de estudo. Partiu sozinha à luta, com uma mala, para os Estados Unidos”.

Foi rejeitada e ridicularizada por seu estudo, ao longo de 40 anos, sobre o mRNA modificado, por não ser rentável.

Saiu frustrada da universidade da Pensilvânia para a desconhecida BioNTeck.

Eis a história da mulher que dedicou sua vida a um estudo que permitiu agora que tivéssemos, bem ou mal, uma vacina contra a Covid-19, no tempo recorde de 10 meses.

A vacina não caiu do céu como uma chuva de verão, veio depois de muito suor e lágrimas e a perseverança de uma grande mulher.

É hoje vice-presidente da mesma BioNTeck, parceira da Pfizer, mas não usa joias, tem o mesmo carro há 15 anos e vive de forma humilde.

Pode até mesmo ser agraciada com o Prêmio Nobel de Química. Eis a mãe da vacina contra a Covid-19. Katalin Karikó.