Paulo Navarro | quinta, 13 de maio de 2021

Guerra, sombra e água de coco para Felipe Rameh e Rogério Flausino. Foto: Arquivo Pessoal 

Nuvem passageira

Uma das raras vantagens da pandemia foi a drástica e repentina diminuição do trânsito de automóveis, ônibus e etc. Parecia férias escolares, com o tráfego fluindo sem congestionamentos, funis, acidentes, pressa e atraso nos compromissos. Isso sem falar que o meio ambiente agradeceu o céu mais limpo, o ar menos poluído. Não só em Belo Horizonte, mas no mundo. Infelizmente, na primeira oportunidade de volta ao “normal”, todos os índices negativos voltaram piores.

Nuvem eterna

Em BH tudo consegue ser pior. Nas ruas e avenidas, um problema bem nosso, as faixas de trânsito apagadas pelo tempo, sem manutenção e, consequentemente, aumentando o caos. Alguém precisa avisar os responsáveis que as faixas não existem para decorar o asfalto selvagem. Elas têm uma função, e muito importante. Orientam carros e outros veículos, como o direito ou não de ultrapassagem.

Nuvem pesada

Isso, nas ruas, avenidas e até estradas. Com as faixas perdendo as cores e a visibilidade, as vias viram terra de ninguém, lei da selva; do mais forte, rápido e imprudente. Todo mundo faz o que quer e até o que não quer. A sinalização desgastada das faixas também causa surpresas com os quebra-molas. De tão invisíveis, de repente, em certa velocidade, vem a surpresa, o solavanco que pode machucar os passageiros e o carro. Isso piora quando também as placas estão escondidas ou caídas.

Nuvem carregada

Para complicar, digamos que o belorizontino não é nenhum Nelson Piquet ou Ayrton Senna. A maioria é “roda dura” por natureza. Isso na opinião, principalmente de quem dirige bem ou é motorista profissional. Então, o condutor ou condutora que já não tem muita intimidade com volante, sem as faixas, mesmo sóbrio ou atenta, parece bêbado ou louca. O trânsito vira o samba de usuário doido. O resultado é você ter que dirigir também para os outros.

Nuvem nervosa

Mas tem mais e cabe mais. Os motoristas de BH voltaram mais estressados que nunca. É uma intolerância, uma pressa sem razão; direção e comportamento agressivos sem iguais. Parecem que vão tirar toda a família da forca. As pessoas voltaram mais impacientes ou afetadas pelas mil outras consequências da pandemia; como se o estresse, de ter ficado tanto tempo preso em casa, saísse pelo ladrão e invadisse as ruas.

A sóbria elegância de Lígia e Fabiano Jardim. Foro: Edy Fernandes

Curtas & Finas

*Continuando o melindroso tema. Uma impaciência, uma pressa que, aqui entre nós, para o quê, por quê? Para sair do nada e chegar a lugar nenhum?

Lama também extensiva às estradas. Parece até o primeiro filme do Steven Spielberg, “Encurralado”.

No filme, um enorme e feroz caminhão não descola da traseira do carro do personagem principal.

Aqui, em vez de caminhão, são outros automóveis que correm no vácuo do que está à frente, como na Fórmula 1 dos já citados Piquet e Senna.

Uma freada brusca do carro da frente e pronto, batida e mil outros engavetados.

Ainda na afetada paisagem urbana, é gritante o sombrio futuro dos prédios comerciais. Até os estacionamentos próximos foram fechados.

O resultado é terrível e parece que vai piorar, com taxas, aluguéis caros e a “descoberta” forçada do teletrabalho.

Enormes edifícios às moscas esperando novos inquilinos que dificilmente voltarão ou chegarão.

Até os prédios dedicados ao novo “coworking” ficaram velhos e vazios. O “working” agora é em casa e os prédios comerciais, desertos.

Proprietários à beira de uma crise de nervos e muita gente que vivia de renda, da noite para o dia, sem renda. Bom para repensar os aluguéis abusivos.

Bom também para os proprietários reinventarem-se. A ociosidade é geral e, pelo jeito, sem volta.

Espaços gigantes e vazios reforçam nossa dúvida cruel: por que tanta pressa no trânsito?

Por encerrar com pressa e velocidade, o malabarismo estonteante e aloprado dos entregadores de “foods”, reis do “delivery”, em motocicletas.

Eles são destaque na paisagem urbana, com um detalhe importante. Sempre foram os vilões do trânsito, “costureiros” do asfalto.

De vilões passaram a heróis, salvadores da Pátria, lavoura e empresas durante a pandemia. No novo anormal, voltarão ao normal?

Palmas para Evandro Tokarski, farmacêutico e presidente do grupo Farmácia Artesanal, comemorando 40 anos.  Foto: Artesanal/Divulgação.

*Em meio à tanta crise, com a maioria dos escritórios mostrando-se inúteis ou substituíveis, palmas para e sorte dos famosos serviços essenciais, como as farmácias.

Mesmo sem dinheiro, as pessoas tentam comer e cuidar da saúde. É o mínimo para a sobrevivência.

Neste “paraíso” nada artificial, entram também as farmácias de manipulação, com elevação nas vendas entre 20% e 50%.

Uma delas, a Farmácia Artesanal, de Evandro Tokarski, merece nossos duplos parabéns porque, além das vendas normais e eletrônicas, completa 40 anos, uma bela exceção!