Paulo Navarro | quinta, 12 de agosto de 2021

No AA Experience, Lilian Mesquita, Flávio Almeida, Antônio Furlan e Carla Deus. Foto: Arquivo Pessoal

Luxo viral

Do site Monitor Mercantil, notícia nada surpreendente, mas deveras quente. Com retração menor que os outros segmentos, o de luxo deve crescer 34% até 2025. No Brasil, sofreu menos e continua gerando ótimos resultados. A tendência é que o país siga acompanhando o crescimento mundial no consumo de luxo. A transição para o digital, intensificada, contribuiu.

Luxo virtual

As vendas virtuais cresceram 40% desde o início da pandemia, com 20,61 bilhões de acessos nos sites de compras. Os números da moda também brindam: entre abril de 2020 e abril de 2021, aumento de 52%. A procura por itens de vestuário e acessórios é grande e a maior parte das compras (76%) são efetuadas pelo celular.

Luxo real

O valor do segmento deve ir de US$24 bilhões em 2019 para US$51 bilhões em 2025, aumento de 112,5%. O Brasil bateu recorde de consumo de vinho em ano de pandemia: em média foram consumidos 2,78 litros de vinho per capita, aumento de mais de 30%. O consumo total foi de inéditos 501 milhões de litros (contra 383 milhões no ano anterior). O Brasil só ficou atrás da Argentina.

Luxo surreal

Agora dado interessante e talvez até novo. Do total de 83 milhões de consumidores de vinho no Brasil, 46% tomam vinho pelo menos uma vez por semana e 53% pelo menos uma vez por mês. O tinto é o preferido, com 55% da preferência. O branco fica em segundo lugar, com 25%. O rosé, em terceiro, com 20%. No caso do tinto, o tipo preferido dos brasileiros são os da uva Malbec, originária da França.

Luxo pactual

Já em 2020, outras fontes apontavam a mesma tendência: a pandemia teve grande impacto. O isolamento fez com que mais consumidores passassem a realizar compras de forma digital. Camila Dulnan, diretora de atendimento B2C Luxury Unit da Infracommerce, explica que o consumidor passou a ter um perfil de compra mais imediatista e mais adepto à compra em um “clique”.

Luxo total

A executiva falou ao FashionUnited sobre o crescimento do mercado de luxo e as mudanças de comportamento do consumidor. O mercado de luxo apresentou crescimento de 93% quando comparado os seis meses antes e os seis meses depois do início da pandemia. O crescimento não é específico de um produto, é do mercado de luxo como um todo.

Comemorando o Dia dos Pais, no restaurante Pobre Juan, o presidente do CDL, Marcelo de Souza e Silva, a esposa Silvana e os filhos Henrique e Gabriela. Foto: Arquivo Pessoal

Curtas & Finas

*Ainda sobre o luxo sem fim. Só no Brasil, este mercado movimentou 26 bilhões de reais em 2018.

Até 2023, o valor crescerá para 29 bilhões de reais, sendo que o potencial do canal “online” desse segmento pode chegar a 30% do mercado até 2025.

*Este mês, segundo “Consumidor Moderno”, tudo mais que confirmado.

Enquanto milhões passaram por crise, quem tinha recursos e bastante poder de compra movimentou um setor diferente.

Impedidos de viajar para o exterior, a classe alta brasileira aqueceu o mercado de luxo por aqui. As vendas representaram o dobro do que foi representado em 2019.

Parte importante desse investimento não aconteceu só por causa da pandemia.

Ajudou, a desvalorização do real. Com o dólar mais alto e o fechamento das fronteiras internacionais, os produtos nacionais de luxo ganharam relevância.

As lojas para os “mortais” não registraram crescimento em suas vendas da mesma forma que o mercado de luxo.

Se antes da pandemia comprar roupas de lojas internacionais no Brasil parecia perda de dinheiro, hoje, o valor é equivalente ao de fora — graças ao dólar. 

Lojistas nacionais apuraram vendas até 50% maiores, em comparação com 2019. E para as lojas internacionais, o crescimento ultrapassou os 100%.

O varejo de luxo tem vivido um ritmo de Natal desde maio, inclusive nas lojas físicas. 

Os consumidores adaptaram-se aos protocolos de segurança e retornaram à vida cotidiana.

Não estão mais na casa de praia ou de campo, mas nas próprias casas, com os filhos frequentando a escola presencialmente. 

No ano passado, pico da pandemia, esse mercado já dava sinais de crescimento tanto para o período de isolamento social quanto como alternativa à alta do dólar. 

Vale enfatizar! O mercado de luxo apresentou aumento de 93% no ano de 2020. Viva o mundo, viva a vida.