O poder moderador

Foto: Fabiana Silva

A entrevista era com o ministro, filósofo, advogado, professor, jurista, escritor Carlos Velloso, mas acabou sendo "apenas" com o intrépido moderado e modesto, mineiro de quatro costados, ex-presidente do STF e do TSE, advogado, parecerista, ufa! E moderação é com ele mesmo, a começar pelo poder do mesmo STF e terminando na prática do tênis e no vinho entre amigos. Menos na boa conversa!

 

- Ministro, advogado, como apresentá-lo? Mineiro de Entre Rios de Minas?

- Mineiro de Entre Rios de Minas, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), advogado, parecerista.

 

- Uma vez mineiro, mineiro até morrer?

- Mineiro de quatro costados, modéstia à parte.

 

- Como vai a vida?

- Muito bem. Viver é um privilégio. Pena que a vida é curta.

 

- Gostaria, aceitaria ser Ministro da Justiça?

- Até que gostaria, a fim de servir mais ao meu país. Mas tive de recusar dois convites honrosos. O do presidente Fernando Henrique, que estimo e admiro, porque, tinha compromissos com o tribunal e presidiria pela segunda vez o TSE. O do presidente Temer, um velho amigo que estimo e admiro, em razão de compromissos; estou advogando. Acho que já dei minha contribuição ao país.

 

- Como o senhor vê o STF hoje?

- É uma Corte mais que centenária, cujas portas estão sempre abertas, aos que reclamam justiça. O bastonário (presidente da OAB nacional), Levi Carneiro, proclamava que o STF é a “joia das instituições republicanas.”

 

- Quem manda no Brasil de 2017?

- O Legislativo, Executivo e Judiciário igualmente. São poderes independentes, que devem trabalhar de forma harmônica. O Supremo deve ser o poder moderador.

 

- Muita gente fala sobre a “ditadura do todo poderoso Judiciário”. O que acha disso?

- É mais um mito. Quem não se conforma com uma sentença do juiz de primeiro grau, pode recorrer aos Tribunais de 2º grau. E ainda poderá recorrer, fala-se em tese, ao STJ, ao TSE, ao TST, ao STM. E ainda poderia ir até ao Supremo Tribunal. Não há ditadura do Judiciário. Temos juízes preparados. Se um juiz se excede, temos o Ministério Público e a OAB, prontos para providenciar a correção.

 

- Outra crítica que pode ser um elogio: os "flashes" sobre o Judiciário. É boa ou ruim esta popularidade?

- Milton Campos, o grande mineiro, costumava dizer que juiz é como o fígado. E indagava: você sabe o lado do corpo em que se localiza o seu fígado? Se não sabe, é porque ele funciona bem. Juiz, se aparece muito, buscando a estrela, não vai bem, devia ser político.

 

- Nas horas vagas, que lazer pratica o cidadão Carlos Mário da Silva Velloso?

- Boa pergunta. Jogo tênis. É meu “hobby”. Em BH, jogo no Minas. Sou sócio do Minas Tênis Clube, o melhor clube do país, desde os 19 anos. Ultimamente, jogo em quadras de amigos, Carlos Carneiro Costa, Lúcio Costa, Edgar Moreira, dentre outros. Depois, há sempre um bom papo, um bom vinho atestado pelo médico e sommelier Ataualpa Reis.