O Operário Dos Sentidos

O OPERÁRIO DOS SENTIDOS
ShelmerGvar é diretor de cinema, ator, dramaturgo, roteirista e gestor cultural. Em 2010 fundou a produtora Operários da Alma voltada a projetos de pesquisa na linguagem artística e de inclusão social. Nessa linha de trabalho ele lança dois documentários: "A Peleja da Essência" e “Além dos Sentidos”. Este último, tratando a surdez, será exibido dia 30, na sala Humberto Mauro, Palácio das Artes.

Por que o nome de sua produtora é Operários da Alma?
O ofício da arte é muito trabalhoso. O nome busca provocar essa reflexão sobre o artista que sua a camisa na busca da essência ao contrário da ideia de que arte é glamour.

São operários sempre em construção?
Sim sempre, com um olhar curioso. Um paladar sem pressa que pode queimar a língua. A persistência de buscar um silêncio que fala. E isso é peleja de Operários que extraem dos seres e das coisas a matéria prima para construir essências.

Inclusão social no Brasil é uma obra de ficção ou realidade?
Pela experiência com nossos cursos, como, por exemplo, o de interpretação para pessoas com deficiência visual, pessoas de baixa renda, percebemos que ainda se fala mais do que se pratica a inclusão social.

Desde sempre a gente espera um país de verdade e ele não vem. Você é otimista?
Se contabilizarmos tanto dinheiro que foi desviado é fácil imaginar que inúmeros problemas seriam resolvidos. O começo de tudo é uma reforma política clara e transparente. Existem caminhos e enquanto existirem é importante ter esperança.

Fale um pouco sobre o documentário "Além dos Sentidos".
Ele surgiu para informar à população a respeito de perdas auditivas, ainda tão envoltas em mitos e pré-conceitos. Profissionais renomados da área abordam múltiplas questões. Tais abordagens são ilustradas com pessoas que perderam a audição em diferentes momentos da vida e buscaram caminhos distintos. O documentário demonstra a importância de enxergarmos o próximo e respeitarmos as diferenças que se completam além dos sentidos.

E o outro documentário, "A Peleja da Essência"?
O objetivo é mostrar o ser humano, o que o levou a se tornar artista de rua, mostrando angustias, anseios, desejos e o dia-a-dia de oitos artistas. Momentos simples como buscar os filhos na escola e lavar vasilhas misturam-se a depoimentos sobre a história de suas vidas. Foram quatro anos de filmagem que deram movimento e curvas dramáticas às histórias, como no caso de Moysés Duarte, que teve o diagnóstico de um tumor maligno e nesse tempo de filmagem ele se curou.

Qual será o próximo filme?
É outro documentário. Eu sou bonsaista e conheço alguns mestres de bonsai. A ideia é seguir o dia-a-dia desses mestres. Paralelo a esse olhar o filme seguirá ativistas e tudo que cerca o assunto do aquecimento global e a devastação do planeta. A ideia é fomentar a reflexão sobre o micro e o macro que envolve o assunto da natureza e o planeta.