Na ponta do pé e da agulha

De ex-bailarina profissional do Palácio das Artes, a pedagoga Marta Guerra virou professora, dona de escola. Um salto maior que não parou por aí. Alçando vôos mais altos, passou a atuar como gerente de marketing embalando projetos culturais para instituições bancárias. Hoje, dirige o Museu da Moda.

Marta, na ponta dos pés fazendo arte desde os 8 anos?
Sim, desde os 8 anos meus pais escolheram a dança como atividade física, exatamente porque estava aliado a arte. Papai era um apaixonado por ballet clássico.

Esculpida e monitorada por quem?
Belo Horizonte tem uma formação acadêmica em dança importantíssima. Posso dizer que tive o privilegio de ter os melhores professores. Carlos leite, professor que me ensinou tudo que sei sobre dança, arte e cultura de forma geral. Fui também aluna do memorável Joaquim Ribeiro. Depois, da Nahra Azevedo. E ainda, Betina Bellomo que formou bailarinos mundo a fora. A lista é imensa, em todos os seguimentos da dança.

De aluna a professora, coreógrafa e dona de escola. Haja joanete e sapatilha, não?
O caminho natural foi este. Escolhi o curso de Pedagogia porque tinha o proposito de me aprofundar em estudos que complementassem minha formação como professora. A experiência como supervisora pedagógica e professora do Centro de Formação Artística do Palácio das Artes me inspirou a ter minha própria escola e meu grupo de dança. Hoje, exerço minha dança com um grupo de ex-bailarinas, em aulas de ballet clássico ministradas por Paulo Chamone, na academia Wanda Bambirra.

Jogo de cintura para "coreografar" outros desafios como comunicação, marketing cultural para instituições financeiras?
A dança é algo que exige muita disciplina e perseverança, não é apenas a magia de estar nos palcos. Temos que encarar diariamente o fracasso, as dores e tantos outros desafios. Por várias circunstâncias externas, tive que encerrar as atividades da minha escola. Mas a dança me ensinou que se os movimentos não estão bons, devem ser reiniciados. Recomecei minha vida profissional. Mudei minha visão sobre o funcionamento do mercado cultural e as novas exigências que ele traz. Tais oportunidades trouxeram também novos desafios e realizações inimagináveis até então.

E a aterrisagem no Mumo - Museu da Moda?
O Mumo foi um presente, mas também um desafio, que recebi do Leonidas Oliveira, presidente da Fundação Municipal de Cultura. Quando ele me contou sobre o projeto, nossa afinidade foi imediata. O ineditismo e a ousadia de valorizar a moda como objeto de pesquisa e expressão cultural me encantaram e, a partir daí, as ideias não pararam mais.

Fomento da moda, educação, pesquisa, interação com mundo são o foco deste trabalho no Mumo?
As expressões encontradas na moda são diversificadas amplas e irrestritas. Seus desdobramentos são fascinantes. Vale lembrar que desde 2006, a moda faz parte do Programa Nacional de Cultura publicado pelo MinC. Moda é cultura, mas também é mercado e é produto. Existe uma cadeia produtiva na moda que anda meio desvalorizada. O oficio do fazer "moda" é belíssimo. No Mumo, principalmente por ser o único espaço publico voltado para a moda no Brasil, temos como um dos principais objetivos trazer discussões e analises em torno dos nossos achados a cerca da moda e suas representações, no dialogo aberto- entre teoria e pratica.