Mentiras de março

A Diretora de Inovação da Associação Brasileira de Recursos Humanos, Alessandra Alkmim, que toma posse hoje como presidente do Conselho da Mulher Empreendedora da ACMinas
Foto: Gleisa Gomes

Mentiras de março
A "Redentora", a "Revolução" militar de 31 de março de 1964 teria acontecido um dia depois. Mas, para evitar piadas com o Dia da Mentira, 1º de Abril, optaram por antecipar a efeméride. O mesmo acontece hoje e amanhã com o habeas corpus ou não de Lula. Mesmo porque, dia 1º caiu num domingo. O importante não é o dia, é o motivo. Tomara que hoje, esperando um novo amanhã, os brasileiros manifestem.

Mentiras de abril 

Virou brincadeira séria comparar as manifestações do Orgulho Gay (LGBTXYZ) às manifestações políticas no Brasil. Enquanto as primeiras arrastam alegres e serelepes multidões em ruas, orlas e avenidas, os protestos cívicos, contra a corrupção, etc; pelo Brasil, são fiascos.

Mentiras sinceras 

A 1ª temporada da série "O Mecanismo" na Netflix divide mais águas que Moisés. A maioria elogia, a minoria, com a qual concordamos, achou péssima. Péssima, tecnicamente: atores e roteiro sofríveis, troca de nomes risível e ridícula. O pior, nada de novo, nem uma só novidade.

Mentiras de plástico 

Transformar, para "disfarçar", Petrobras em Petrobrasil, Polícia Federal em Polícia Federativa, Youssef em Ibrahim, Moro em Rigo, Dilma em Janete, Ignácio em Higino, é simplesmente patético. E total falta do tal e famoso "phisique du rôle". Pior ainda é transformar Lula e Dilma em coadjuvantes bobos, enquanto, na verdade, foram os protagonistas.

Mentiras gritantes 

Estas notas servem para apontar como anda o ânimo dos brasileiros. Tomara que hoje, no Brasil inteiro, o calor suscitado por uma simples, vulgar e repetitiva "ficção" da Netflix, "O Mecanismo", seja reproduzido aos milhões pelas mesmas ruas, orlas, praças e avenidas do país. Mas tem que ser manifestação de verdade, como as de 2013 e sem selvageria; não como as últimas que presenciamos na Praça da Liberdade que mais pareciam concentração de bloco de carnaval, do tipo "concentra, mas não sai".

Curtas & Finas

*José Padilha na Folha de São Paulo: "Esperava que formadores de opinião da esquerda fossem sair do estupor ideológico e combater o mecanismo de corrupção".
"É uma dramatização inspirada em acontecimentos reais".
"No Brasil, a corrupção não ocorre esporadicamente; ela é o mecanismo estruturante da política e da administração pública".
As campanhas de todos os grandes partidos são financiadas por empresas que trabalham para o Estado. Uma vez eleitos, políticos montam coalizões mirando distribuição de cargos".
" O Estado, loteado, contrata as mesmas empresas que financiam as campanhas políticas, superfaturando orçamentos".
"Parte da fatura se transforma em financiamento de campanha e parte vira caixa dois e propina".
" O mecanismo opera nos governos de esquerda e de direita.
Na série "O Mecanismo", assumimos que esses enunciados são verdadeiros. Isso é fato ou ficção? O que aconteceria em um país onde o mecanismo operasse de fato?