Sábado, 6 de dezembro de 2025
A atriz Giovanna Antonelli: "coisa de louco"!. Foto: Edy Fernandes
Teatro dos Vampiros
Impressionante e frustrante constatar o quão o Brasil é coerente, quando o assunto é crise, insanidade, escuridão no fim do túnel e falta de futuro. Em 1991, Renato Russo, na “Legião Urbana”, já mostrava cenário que continua terrivelmente atual: “E destes dias tão estranhos/Fica poeira se escondendo pelos cantos/Este é o nosso mundo”.
Geração de vampiros
“O que é demais nunca é o bastante/E a primeira vez é sempre a última chance/Ninguém vê onde chegamos/Os assassinos estão livres, nós não estamos/ Vamos sair, mas não temos mais dinheiro/Os meus amigos todos estão procurando emprego/Voltamos a viver como há dez anos atrás/E a cada hora que passa envelhecemos dez semanas”.
Geração Perdida
Em 2003, Vander Lee cantava aqui: “Sabe o que eu queria agora, meu bem?/Sair, chegar lá fora e encontrar alguém/Que não me dissesse nada/Não me perguntasse nada também/Que me oferecesse um colo, um ombro/Onde eu desaguasse todo desengano/Mas a vida anda louca/As pessoas andam tristes/Meus amigos são amigos de ninguém”. É... Deu a louca no mundo.
Geração Coca-Cola
Talvez, nem Coca-Cola! Geração saúde, mas também chata, dominada, doutrinada e politicamente correta. Deu no Instagram: “A nova geração não parou de beber porque ‘ficou careta’. Parou porque ficou ‘consciente’. A ressaca ficou cara. O dinheiro ficou curto. A exposição ficou alta. E a clareza mental virou um luxo que pouca gente consegue manter”.
A influencer Carol Toledo, "uma loucura"!. Foto: Edy Fernandes
Geração Pepsi
“A verdade: a sobriedade deixou de ser renúncia e virou ‘posicionamento’. É dizer: ‘eu escolho estar no controle’. E isso tem muito mais charme do que qualquer porre. A geração Z não foge da diversão. Foge do preço que ela cobra. E talvez essa seja a tendência mais inteligente dos últimos anos”. Sim, inteligente, mas muito chata, vale repetir.
Geração Nutella
No início da carreira, todo bonitinho, bem-comportado, moço de família, Chico Buarque foi atacado e rotulado como careta pelos “malucos-beleza”. Teve até que se defender, escrevendo: “nem toda loucura é genial, nem toda lucidez é velha”. Por falar em Chico, “talento não escolhe caráter” e bola pra frente! Mesmo porque, preferimos a opinião de uma especialista.
Geração Raiz
A opinião de uma psiquiatra, Nise da Silveira: “não se curem além da conta. Gente curada demais é gente chata. Todo mundo tem um pouco de loucura. Vou lhes fazer um pedido: Vivam a imaginação, pois ela é a nossa realidade mais profunda. Felizmente, eu nunca convivi com pessoas ajuizadas. É necessário se espantar, se indignar e se contagiar, só assim é possível mudar a realidade...”.
Raiz brava
A maior loucura é ser normal? Pode ser. Mas a juventude não está deveras anestesiada, calada, impotente, passiva e manipulada? Onde foi para aquele tempo do “bebo para tornar as pessoas mais interessantes”; “não confio em quem não bebe” e “a humanidade está três doses atrasada”? E o beber socialmente, com moderação? E mais: nunca beba para ficar bem, beba para ficar melhor.
A atriz Maria Fernanda Cândido: "de pirar o cabeção"!. Foto: Edy Fernandes
Lança Perfume
*Com a caretice deste pouco admirável mundo novo, “dança” também o humor tipo: “não adianta beber para afogar as mágoas porque elas já aprenderam a nadar”.
Resta-nos dançar ao som do século passado, em 1972, com os mutantes desafinando o coro dos contentes, em “Balada do Louco”.
“Dizem que sou louco por pensar assim/Se eu sou muito louco por eu ser feliz/Mas louco é quem me diz/E não é feliz, não é feliz”.
“Se eles são bonitos, sou Alain Delon/Se eles são famosos, sou Napoleão”.
Napoleão de hospício! Porque “chamar alguém de ‘louco’, na maioria das vezes, tem um tom pejorativo e desrespeitoso”.
“Atitudes como essa só acentuam o preconceito sobre a possibilidade de se ter uma doença mental”.
Voltando, agora, a 1977, com Raul Seixas, a gente lembra que, “enquanto você se esforça pra ser um sujeito normal e fazer tudo igual”.
“Eu do meu lado aprendendo a ser louco/Um maluco total, na loucura real”.
“Controlando a minha maluquez/Misturada com minha lucidez”.
“Vou ficar/Ficar com certeza/Maluco beleza”.
Muito doida esta coluna de hoje! Tchau.


