Sábado, 22 de novembro de 2025


Florindo seu e nosso tempo Juliana Teles. Foto: Edy Fernandes

Livre pensar

Agora que vivemos os tempos de um assunto único, sem volta e sem limites, os da Inteligência Artificial; de repente, quase sem querer, nem lamentar; apenas abrindo baús de sustos e espantos, é fácil e quase ridículo lembrar que, há muito pouco tempo, não usávamos celular. Internet era coisa de Marte, usávamos máquina de escrever, fax e telefone fixo. Escrevíamos cartas - e cartões-postais, claro - à mão.

É só pensar

Rádio era apenas diversão e não divã no trânsito. Televisão, em preto e branco, tinha cultura, conteúdo, diversão e liberdade. Cinema era só no cinema. Líamos revistas e jornais que hoje são vendidos como toalete de cães e gatos. Viagens ao exterior eram coisas de outros mundos, mágicas, quase impossíveis. Daí o tema do texto recebido e compartilhado hoje.

Pensar e refletir

“Quando a televisão entrou em minha casa, esqueci-me de como ler um livro. Quando o carro parou à minha porta, esqueci-me de como caminhar. Quando segurei um celular, esqueci-me de como se escreve uma carta. Quando o computador chegou, esqueci-me da ortografia. Quando o ar condicionado se instalou, deixei de procurar a sombra e a brisa de uma árvore”.

Refletir e mudar

“Vivendo na cidade, me esqueci do cheiro da terra molhada. Manuseando cartões e contas bancárias, esqueci-me do verdadeiro valor do dinheiro. Com os perfumes artificiais, esqueci-me das flores frescas. Com os lanches rápidos, esqueci-me dos sabores dos pratos tradicionais. Sempre com pressa, esqueci-me de como parar. E desde o WhatsApp, esqueci-me de como falar verdadeiramente”.


Sempre atual e já no futuro, Luciene Saraiva. Foto: Edy Fernandes

Mudar e fugir

“Quando morremos, o nosso dinheiro fica no banco. E, no entanto, em vida, falta-nos frequentemente. Ironia cruel: após a nossa partida, ficam muitas vezes quantias importantes, não utilizadas. Um grande empresário chinês morreu, deixando 1,9 bilhão de dólares à sua viúva. Ela casou-se com o motorista dele. O motorista disse: ‘Durante anos, pensei que trabalhava para o meu patrão… e hoje percebo que ele trabalhava para mim’”.

Fugir e escapar

“A realidade é dura: é melhor viver muito tempo do que possuir muito. Devemos, portanto, proteger o que temos de mais precioso: a nossa saúde. Num celular top de linha, 70% das funções não são utilizadas. Num carro de luxo, 70% das performances e gadgets servem para nada. Numa moradia suntuosa, 70% do espaço não está ocupado. Nos nossos armários, 70% das roupas nunca são usadas”.

Escapar e tentar

“Numa vida inteira de trabalho, 70% dos rendimentos beneficiam… os outros. Então, aprendamos a acarinhar os nossos 30% restantes: façam check-ups de saúde, mesmo que se sintam bem. Bebam água, mesmo sem sede. Deixem tudo passar, mesmo perante grandes problemas. Saibam ceder, mesmo que tenham razão”.

Tentar e viver

“Mantenham-se humildes, mesmo no sucesso. Contentem-se com o que têm, mesmo que não seja muito. Cuidem do vosso corpo e da vossa mente, mesmo que estejam muito ocupados. E sobretudo… arranjem tempo para aqueles que amam. Cuidem dos amigos. Transmitam esta mensagem àqueles que são importantes para você. Nós acabamos de dar o exemplo”.


Sem tempo a perder, Renata Leite. Foto: Edy Fernandes

Lança Perfume

*Interessante e bonito o texto, concordam? Contudo, viver assim é simples, mas nada fácil.

Como fugir da tecnologia, quando dela somos escravos e 100% dependentes?

Hoje, sem um celular, sem energia, sem Internet, o mundo seria um caos.

O que temos de facilitadores na vida são correntes, cadeados, gesso, cimento.

O que a tal da Inteligência Artificial tem de bom, já está mostrando seu pior lado, o humano, o da Burrice Natural.

A tecnologia, a velocidade e a praticidade estão matando a naturalidade, a convivência, a sociabilidade.

O que, num primeiro momento, parecia aproximar as pessoas, mesmo do outro lado do mundo, hoje separa, dentro da mesma casa, à mesma mesa.

Nunca tivemos tanto o que comprar, com o dinheiro que nunca vamos ter.

Nunca tivemos tantas facilidades e oportunidades, com o tempo que é cada vez mais curto e que não para de passar.

Se esse é o admirável mundo novo, parem-no na esquina que eu quero descer em outro clube.