Sábado, 18 de novembro de 2026
A cidade mais viva, com Adriana Franco. Foto: Edy Fernandes
“Control S”
Leônidas Oliveira é arquiteto, urbanista, filósofo, professor e secretário de Estado de Cultura e Turismo de MG. Trocando em miúdos, o homem sabe muito sobre muita coisa. Aqui, em O TEMPO, ele publicou, dia 6, texto que se explica já no título e incita ainda mais reflexões no resumo a seguir: “O centro de BH se salva com vida, não com cálculo”.
S de Vida
Como um velho preâmbulo nas fatigadas retinas de nossos leitores, reafirmamos que, em qualquer grande cidade do mundo, principalmente na Europa, o Centro é o espaço mais interessante, logo, mais visitado. Ali as cidades nasceram e cresceram. É onde estão concentrados os maiores patrimônios da arquitetura e da arte.
Vida rara
Voltemos ao texto de Oliveira: “A capital mineira tem diante de si uma oportunidade rara. Não apenas reformar seu centro, mas repensá-lo à altura dos desafios do presente. Quando Carlos Drummond de Andrade escreveu “Triste Horizonte”, em 1976, ele não produziu apenas um poema sobre Belo Horizonte”.
Vida dolorida
O mesmo Drummond, lamentando a destruição de sua Itabira natal, em “Confidência do Itabirano”, escreveu: “Itabira é apenas uma fotografia na parede. Mas como dói!”. No capítulo BH, Leônidas Oliveira diz que Drummond não fez apenas um poema, “produziu uma advertência”.
Vida colorida
“Ao perceber a cidade tensionada entre modernização, perda da paisagem e esvaziamento de sua delicadeza urbana, Drummond intuiu algo que permanece atual: uma cidade pode continuar crescendo e, ainda assim, afastar-se de si mesma. É por isso que o debate sobre o centro de Belo Horizonte não pode ser reduzido ao cálculo”.
A cidade mais pulsante, com Bruna Melfior. Foto: Edy Fernandes
Vida viva
Pausa! E muito menos reduzido à especulação imobiliária, ao desperdício da memória e de uma infraestrutura já pronta para renascer e produzir um nova História. E isso, no lugar da construção de novos bairros, gaiolas de ouro, infinitas torres de gosto duvidoso e naturais obstáculos à conturbada mobilidade urbana de BH.
Viva a vida
“Não se trata apenas de requalificar uma área estratégica, corrigir vazios urbanos ou estimular empreendimentos (...) Toda cidade mostra sua verdade no centro. É ali que se concentram memória, circulação, comércio, conflitos, desigualdades, patrimônio, encontros e tensões do futuro (...) Centros urbanos não se recuperam apenas com obras. Recuperam-se com vida”.
Viva a diferença
“Com moradia, diversidade de usos, circulação contínua, espaço público ativo, comércio cotidiano, segurança, cultura e pertencimento (...) diferença, mistura e complexidade. O centro de Belo Horizonte não precisa de assepsia. Precisa de abertura qualificada à vida urbana real”.
Viva o vivo
“Um centro vivo é aquele em que se mora, se trabalha, se caminha, se consome, se contempla, se encontra e se retorna. O maior erro das políticas urbanas de nosso tempo é confundir revitalização com valorização. Há diferença entre devolver vitalidade a um território e submetê-lo apenas à lógica da rentabilidade”.
A cidade mais bonita, com Carolina Viana. Foto: Edy Fernandes
Lança Perfume
*O centro precisa ser espaço de convivência, e não apenas de circulação”.
“O centro contém camadas de história, afetos, economias populares, práticas religiosas, patrimônios materiais e imateriais, arquiteturas do cotidiano e formas de resistência urbana”.
“Regenerar, portanto, não pode significar apagar. Modernizar não pode ser sinônimo de homogeneizar”.
“Requalificar não pode equivaler a expulsar, silenciar ou substituir aquilo que dá espessura humana ao território”.
“Nesse processo, a cultura não pode aparecer como acessório. Ela é parte estrutural da regeneração”.
“Bibliotecas, museus, galerias, teatros, cinemas, feiras, cafés, mercados, arte pública e patrimônio ativado não apenas enriquecem simbolicamente a cidade”.
“Qualificam o espaço urbano, ampliam a permanência, fortalecem o pertencimento e ajudam a construir segurança pela presença e pelo uso”.
“Belo Horizonte precisa não apenas reformar seu centro, mas repensá-lo à altura dos desafios do presente”.
“Drummond percebeu cedo que a cidade perde algo de essencial quando rompe sua intimidade consigo mesma”.
“O centro de Belo Horizonte só encontrará futuro quando voltar a merecer a vida comum”.










