Sábado, 15 de novembro de 2025


A bela cidadã, Aline Leal. Foto: Edy Fernandes

Início dos Tempos

Desde Jericó e Uruk, a humanidade tenta sobreviver às cidades, fugindo dos perigos da Natureza, àquela época, hostil e não vítima. Milênios depois, o dia 31 de outubro, é o Dia Mundial das Cidades para explicar o óbvio: o futuro das cidades deve ser construído de forma coletiva, sustentável e inclusiva.

Final dos Tempos

Daí, a urgência de hoje, inspirada em texto condensado da “National Geographic”. Viver bem e de forma saudável nas cidades é um desafio, inclusive de saúde mental. Daí a importância de visitar “terceiros lugares”: bares, cafeterias, lojas, bancos, supermercados, pontos de encontro informais que não são a casa ou o trabalho.

Tempos difíceis

Precisa nem conversar, o que, dependendo do interlocutor, é recomendável. Interação com idiotas nos deixa menos inteligentes. Basta compartilhar conexões. É um antídoto contra os venenos da monotonia, da solidão e do sofrimento mental. E se os espaços ao nosso redor nas cidades pudessem nos ajudar a nos sentir menos sozinhos?

Difíceis e sinistros

Pausa para nossas observações. Cidades feias fazem mal à saúde! Prédios sujos, velhos, decadentes, abandonados. Ruas imundas, calçadas depredadas. Imóveis pichados. Ausência de árvores, parques, arte e arquitetura. Rios e ribeirões urbanos poluídos; patrimônio pouco ou nada preservado; seres humanos sobrevivendo em cantos de ruas e avenidas; bairros esquecidos, pobres, sem saneamento básico e improvisados. Violência! Isso e mais matam seus moradores aos poucos e em silêncio.


Deixando a cidade mais atraente, Anna Barroso. Foto: Edy Fernandes

Difíceis e estranhos

“O ambiente construído: ruas, moradias e sistemas de transporte, é crucial para interagimos uns com os outros”, diz Julia Day, sócia da empresa global de estratégia urbana Gehl. “Mudanças no design urbano e na programação dos locais são fundamentais”. O ambiente construído pode impedir ou incentivar interações sociais , breves ou profundamente pessoais.

Estranhos e nocivos

Outros especialistas dizem que a pandemia ajudou a socializar a solidão e tornou as pessoas mais conscientes do ambiente físico ao seu redor enquanto estavam presas em casa. Descobrimos que fatores estruturais das cidades afetam muito nossa saúde, bem-estar, resultados econômicos etc. E um deles é nosso ambiente físico e construído.

Estranhos e possíveis

Podem ser múltiplas as conexões sociais em espaços urbanos. No entanto, arquitetos, urbanistas, formuladores de políticas públicas e outros profissionais desenvolveram estratégias que aumentam as chances de interações espontâneas ou significativas, tanto em residências particulares quanto em espaços públicos.

Possíveis e reais

Miremos, por exemplo, as praças italianas: abertas ao público (acessibilidade), com restaurantes e lojas (ativação) e prédios em tijolos de barro natural e pedras, muitas vezes cobertos de vegetação (natureza). Quando os lugares transmitem segurança e calma, típicas do que a natureza oferece. As pessoas se sentem mais abertas, sociáveis e tranquilas.


Aumentando o charme de qualquer cidade, Fernanda Sperb Duarte. Foto: Edy Fernandes

Lança Perfume

*Outro exemplo: um campus residencial para estudantes, em San Diego, Califórnia, Estados Unidos.

Espaços compartilhados para cozinhar e socializar, escadas interconectadas e grandes janelas: interações sociais e acadêmicas.

Assim, queda de 8,2% na depressão autorrelatada pelos estudantes e aumento de quase 28% na satisfação com os espaços residenciais.

Mais: interesse em habitações multifamiliares; prédios de apartamentos e casas geminadas, para a questão da moradia inacessível e a crise climática.

Contra o isolamento social e a solidão, em milhares de novas casas em torres altas envidraçadas, que agravam o problema.

É preciso integrar os edifícios ao bairro, criar transições graduais entre espaços públicos e privados e co-localizar comodidades compartilhadas.

Passarelas externas, um pátio compartilhado e recantos sociais. Enfim, espaços públicos!

Tem muito mais, mas o espaço acabou. Recado dado e captado, correto?