Sábado, 1 de novembro de 2025
Amigos e amigas de Júlia Nogueira acham a vida bela. Foto: Edy Fernandes
Terras raras
Portos velhos, seguros e alegres; as amizades, as verdadeiras, parecem estar em extinção. Basta olharmos para os lados. O que aconteceu com nossos amigos? “Sumiram na bruma remexendo um foxtrote?”; “em que Brahmas, em que brumas, se afogaram?”. Esta semana circulou pelas redes mais um texto que, “se non è vero, è ben trovato”. Sem mais delongas, vamos a ele.
Tempos raros
Seria mais engraçado ou pitoresco, se a reflexão tivesse brotado na Universidade de Massachusetts. Mas não! Dizem que, recentemente, um artigo na “Harvard Business Review”, analisa como a "recessão das amizades", ou a tendência de declínio de amizades significativas, está lentamente se enraizando em nossas vidas.
Raros e caros
De acordo com a pesquisa “American Perspectives”, o número de adultos que afirmam ter “nenhum amigo próximo” quadruplicou desde 1990, chegando a 12%. O número de pessoas com "dez ou mais amigos próximos" diminuiu em um terço. Tendência semelhante surge em áreas urbanas da Índia: enquanto o número de conhecidos aumenta, as amizades profundas estão cada vez mais raras.
Amigas e amigos de Patrícia Horta acham a vida saudável. Foto: Edy Fernandes
Caros e queridos
Pausa para falar do Brasil, de Belo Horizonte. Não raro, ainda bem, temos mesas de bares bem recheadas de amigos. Mas serão mesmo amigos ou conhecidos, colegas de copo? Serão adeptos do “não existe almoço de graça” ou amigos fiéis? A gente pode contar com eles, “na saúde e na doença” ou estão ali apenas combatendo a solidão a dois, a três, a quatro?
Queridos e amados
Isso, sem falar nas mesas ao lado, cheias de gente vazia, com celular na mão, desperdiçando a conversa ao vivo, a piada com ou sem graça, os comentários politicamente incorretos que ainda podemos praticar sem ir para a cadeia, os chatos obrigatórios de quem falamos mal depois, os verdadeiramente engraçados, aqueles que fazem nossos olhos rirem antes dos lábios e dentes. Sim, as amizades ainda existem, podem estar apenas disfarçadas.
Amados e salutares
Voltando à pesquisa e ao texto! No passado, as pessoas conversavam facilmente com estranhos em cafés ou bares. Agora, as pessoas sentam-se sozinhas. Nos Estados Unidos, o número de pessoas comendo sozinhas aumentou 29% nos últimos dois anos. A Universidade Stanford até lançou um curso chamado "Design para Amizades Saudáveis".
Salutares e fundamentais
Quem diria! Amizade agora suplica aprendizado e esforço. Amizade e amor sincero custam caro! Não é apenas um problema social, mas uma crise cultural. Reservar um tempo para a amizade não deve mais ser um luxo, mas sim uma prioridade. A solidão não é mais uma escolha; está se tornando um hábito. Se não priorizarmos conscientemente a amizade, não só será difícil fazer novos amigos, como também perderemos conexões antigas.
Amigos e amigas ou amigas e amigos de Poliane Lopes acham a vida uma benção. Foto: Edy Fernandes
Lança Perfume
*Reuniões, clubes, esportes e organizações voluntárias estão em declínio?
Limitamo-nos às mídias sociais, às responsabilidades familiares e até mesmo aos animais de estimação?
Sim, alguns amigos não se veem mais porque não conseguem deixar seus animais em paz!
Hoje, a amizade sumiu; só acontece quando outras responsabilidades são cumpridas. Mas, pesquisas enfatizam a importância da amizade.
No livro da australiana Bonnie Ware, "Os Cinco Maiores Arrependimentos dos Moribundos", um lamento pungente: "Eu gostaria de ter mantido contato com meus amigos...".
Pesquisas mostram: o isolamento social aumenta o risco de doenças cardíacas, demência e mortalidade.
O isolamento é tão prejudicial quanto fumar 15 cigarros por dia.
As amizades melhoram a saúde mental, física e emocional.
No estudo de Harvard, a maior fonte de felicidade e saúde não é riqueza ou carreira, mas relacionamentos.
A verdadeira amizade é como um investimento: perdoe, ligue, crie memórias e passem tempo juntos.
Do poeta indiano, Mirza Ghalib: “Ó Deus, concede-me a oportunidade de viver com meus amigos... pois posso estar contigo mesmo depois da morte”.
Valorize as amizades, reserve um tempo e enriqueça sua vida com relacionamentos amigáveis e significativos. Ou vá chupar meia!


