Samba, tango e arte

Foto: Pablo Bernardo

Hoje, a bailarina e coreógrafa Marlene Silva. Marlene é a grande homenageada da Mostra Benjamin de Oliveira 2018 - Edição Dança, até amanhã, no teatro Francisco Nunes. Motivos não faltam para tal honraria. Do Ballet Folclórico Mercedes Baptista à preparação de bailarinos e figurantes profissionais, passando pela coreografia do filme “Xica da Silva”, Marlene é um show que deve continuar.

 

Marlene, como se deu a trajetória de bailarina e coreógrafa?

Começou no Ballet Folclórico Mercedes Baptista, do qual fiz parte por 15 anos, entre viagens nacionais e internacionais. Quando retornei comecei a pesquisar as raízes africanas e os estados do Brasil com danças e costumes de origem afro-raiz.

 

Antes de você, ninguém ensinava dança afro em Minas?

Havia o grupo Aruanda. Mas não soube, à época, se havia um grupo afro. Lembro de quando vim de Diamantina, onde coreografava o filme “Xica da Silva”, dirigido por Jarbas Barbosa e Cacá Diegues. Coreografei Zezé Mota e depois fui convidada pela professora Dulce Beltrão para dar aulas em seu estúdio.

 

Qual a particularidade da dança afro?

Coordenação, expressão e ritmo; fundamentais para uma boa dança. Sem um desses três elementos, a dança perde a veracidade!

 

Você é homenageada da Mostra Benjamin de Oliveira 2018. Quem é Benjamin, que mostra é essa?

Fui convidada por Rui Moreira e Maurício Tizumba. Uma alegria! Benjamin de Oliveira foi o primeiro palhaço negro do país, nascido em 1870, em Pará de Minas. Foi um artista popular e celebrado em sua época e o criador do circo-teatro brasileiro. O nome da mostra não poderia ser melhor.

 

O que significa Burlantis?

No início do século 18, os primeiros artistas populares do país recebiam o nome de burlantim. Eles percorriam o Brasil em companhias mambembes, apresentando uma arte essencialmente de rua. A Cia Burlantins foi criada em 1996 e encenou espetáculos icônicos unindo música, teatro e rua. Hoje ela tem esse recorte de espetáculos encenados por um elenco negro.

 

Onde fica a Cia Burlantis nesta história?

A Cia Burlantins é a idealizadora da Mostra Benjamin de Oliveira. Já foram realizadas seis edições: de teatro, circo e performance. Agora, foi a vez da dança.

 

Apesar de tudo o Brasil continua musical e dançável?

Muito. O Brasil é muito desenvolvido em todas as modalidades: moderno, jazz, folclórico, clássico, contemporâneo e outras. Muito bom!

 

Onde você gostaria de mostrar tua arte?

Já tive grandes oportunidades de mostrar minha cultura, meu desenvolvimento nacional e internacionalmente. Washington, Nova York e Boston, nos EUA; México, Portugal, Alemanha e França. Seis espetáculos de sucesso em BH, no Palácio das Artes. Agora preparo bailarinos e figurantes profissionais para meu próximo espetáculo, Casa Grande e Senzala, do Gilberto Freire – com autorização da Fundação Gilberto Freire.

 

Qual sua música favorita? “Let’s dance”?

Amo samba de raiz e tango!