Paulo Navarro | segunda-feira, 11 de março de 2019

Entre confetes e serpentinas, no Baile da Insanidade que aconteceu Mercado Distrital do Cruzeiro, as belas Claudia Campolina, Renata Milton e Ludmila Carvalho

Foto: Dudua’s Profeta

Meu Carnaval 

Minha visão? Uma festa de sensualidade excessiva e “cantar”! É BH e MG começando a funcionar. Inclusive na política. Quiçá aqui também. Só para ver as moças passarem já vale a pena. Na banda, nos blocos, nos cordões, não interessa! É ela, menina, menina-moça que bota pra quebrar quando passa. Lindas à flor da pele ou através dos minishortinhos transbordando de vida, uma nova sensualidade.

Nosso carnaval 

Essa menina-moça é a nova belo-horizontina fazendo refrão com o “Samba da minha terra”, de Dorival Caymmi: “O samba da minha terra deixa a gente mole / quando se canta todo mundo bole”. Sedentas são então, belas estão de amor! Haja coração! Este é o nosso novo e lindo horizonte.

Nossa saúde 

Nossa novíssima paisagem urbana no carnaval que ecoa montanhas afora; um grito parado no ar, no ventre, vá saber! E ainda tem gente que faz coro ao contrário, cantando: “É ruim da cabeça ou doente do pé”, diria o poeta aos apologistas da até então eterna cidade dormitório.

Nossa novidade 

Da ex-eterna cidade dormitório para destinos históricos. A novíssima Belo Horizonte acordou para o seu potencial, para o seu pessoal. É a nossa bandeira no estandarte. Pelos bares da vida, ruas e esquinas cantadas em versos, pelos mercados. Bacana testemunhar, em meio à folia, a alegria na confraternização de tribos, gerações. E xô, baixo-astral; xô, apoteóticos do pessimismo dos novos tempos, da esperança de novos horizontes para o Brasil. Este grito sim, ficou parado no ar! Querendo mais.

Nossa energia 

Aqui, nada atrás do trio elétrico. Blocos de bairro (numa época em que você mal conhece o vizinho), famílias, muita gente mostrando a cara. Super, o bloco do Oscar, na avenida Oscar Niemeyer, Vila da Serra; na Praça Alaska, Sion; nos bailes no Distrital do Cruzeiro e nos embalos eletrônicos do Mirante. Palavra de ordem: sair daqui, de BH, pra ir aonde?

Curtas & Finas

* Continuando, sobre a festa que acordou as montanhas e seus habitantes: seis milhões de foliões, pasmem! E, beleza, nosso carnaval provou a máxima: o mundo é gay!

* O carnaval, que teve apoio sim da PBH, é fruto essencial da manifestação espontânea dessa novíssima geração.

Carnaval também é alegria de ir e vir, de beber para comemorar, para ficar mais feliz.

Motoristas de aplicativos em festa. E outros também festejando, como os taxistas.

Mesmo com os excessos normais, pouca gente bêbada dirigindo. Bares e restaurantes rindo como ricos, à toa e à beça. E parabéns ao policiamento da capital.

E que cidade tem gente mais bonita? Ninguém viajou! Todo mundo ficou aqui. Só gente bacana. Pouquíssimos “malas” e tontos, inconvenientes. Idem ladrãozinhos.

“Pra tudo se acabar na quarta-feira”? Esperamos que não. Esperamos que esta festa seja a primeira ou a sequência de muitas.

* Em sua passagem, o amigo e genial arquiteto Carlos Alexandre “Carico” Dumont deixou as suas pegadas em nossos corações, bem como sua genialidade na paisagem urbana das Gerais. Vá com Deus!

Carico faleceu na última quinta-feira e, até o fechamento desta edição, não tínhamos a confirmação do horário e local da missa de sétimo dia.