Paulo Navarro | sábado, 6 de outubro de 2018

Foto: Divulgação | Fasano

Cereja e bolo

Um dos maiores nomes do mercado de luxo no país, Rogério Fasano acaba de inaugurar o Hotel Fasano Belo Horizonte. À frente da rede que leva o forte nome de sua família, ele reposicionou a marca como símbolo da alta gastronomia e excelência em hotelaria. Sofisticação, sem ostentação. O empreendimento promete aquecer o polo gastronômico de Lourdes e fortalecer o eixo corporativo da cidade.


Que cardápio você trouxe para BH? 

Escolhi o Gero porque é mais adequado e mais cool. O Fasano, em São Paulo, cabe em poucos lugares e requer muito investimento. O Gero é um “resumo” da gastronomia Fasano, mais descontraído, com a inclusão de alguns pratos do nosso restaurante Trattoria (culinária do sul da Itália).

Então o Gero, filho mais novo, vem mais maduro? 

Não tem fórmula. Os Gero têm referências iguais, com menus diferentes. E como não pretendo ter outro restaurante em BH, aproveito os carros-chefes dos outros Gero. É um astral muito legal, eclético, que agrada do banqueiro de 70 anos a um jovem de 20.

O que o Gero agrega à cidade? 

Impossível separá-lo do hotel. Uma nova visão da hospitalidade e gastronomia que está no DNA Fasano. Tem uma pesquisa, uma visão. Como no Hotel Fasano São Paulo, você vê um grande bar e não uma grande recepção. Tenho muito orgulho, criamos uma escola ao longo dos anos; hotéis e restaurantes. Prezamos muito o luxo invisível.

Mais do que um hotel, é um espaço referência para um novo ponto de encontro social e empresarial? 

Esperamos isso. Há um trabalho gigantesco pela frente. O mais importante é manter a visão. Faremos adaptações, mas não podemos adaptar por completo o que agrada a cidade. Não vou querer ousar a fazer comida mineira. Mas sim, trazer a cozinha italiana autêntica. Um diferencial é que um restaurateur consegue fazer um hotel, mas um hoteleiro não consegue fazer um restaurante.

Quais ingredientes não podem faltar na boa mesa? 

Simplicidade. Ninguém aguenta mais esses menus degustação de 20 pratos. Isso cansa. Mesmo no Fasano mais formal, para mesas de duas pessoas, deixamos a garrafa de vinho para se servirem. Isso é simplicidade. O melhor serviço é o que some.

Você é perfeccionista? 

Sim, causa dos meus três infartos.

E o Baretto? 

As pessoas da cidade gostam de sair pra comer e beber. E uma cidade relativamente segura comparada com outras grandes. Tem tudo pra dar certo, se tornar um ponto de encontro. Diferente de um restaurante, as pessoas vão dizer o que as agradam.

Esse é o sexto hotel do grupo. São três hotéis abrindo só em 2018 e mais um em 2019. 

Esses projetos nasceram há quatro, dez anos. O que mais me preocupa é essa divisão partidária do país, os extremos. Isso pode não ser saudável e sabemos que precisamos fazer algumas coisas importantes, criar mais empregos. É impossível que algum empresário não esteja ansioso, mas temos que acreditar, batalhar e seguir em frente.