Paulo Navarro | sábado, 2 de fevereiro de 2019

Foto: Eugenio Savio

DNA de Maestro

Ele traz a música no sangue, afinal, é filho e neto de maestros. Diretor artístico e regente titular da Filarmônica de Minas Gerais desde sua criação, Fabio Mechetti posicionou a orquestra mineira no cenário mundial da música clássica e com ela conquistou prêmios. Foi regente principal da Filarmônica da Malásia, tornando-se o primeiro maestro brasileiro a ser titular de uma orquestra asiática.

Como começou sua paixão pelas orquestras? Tem DNA nessa história?

Sim, meu pai e meu avô foram maestros no Theatro Municipal de São Paulo e foi ali que tive minhas primeiras experiências com a música orquestral e lírica.

Há quanto tempo você está na Orquestra Filarmônica de Minas Gerais?

Desde um ano antes do começo de suas atividades oficiais, em fevereiro de 2008. O período de planejamento para essa estreia deu-se desde março/abril de 2007, quando fui convidado a montar e implementar esse projeto.

Quais grandes nomes já se apresentaram junto com a Filarmônica?

Grandes nomes nacionais e internacionais já se apresentaram com a Filarmônica. Dentre eles destacaria os violinistas Joshua Bell, Pinchas Zukerman e Vadim Gluzman, os pianistas Nelson Freire, Arnaldo Cohen e Lilya Zilberstein, e os violoncelistas Antonio Meneses, Asier Polo e Daniel Müller-Schott.

Qual a maior dificuldade para manter uma orquestra do tamanho da Filarmônica de Minas Gerais?

Consistência na sua manutenção financeira e investimento em sua qualidade. A Filarmônica se transformou rapidamente num fenômeno de sucesso graças a uma equação que a viabiliza. O Governo do Estado é responsável pela folha de pagamento dos músicos e funcionários, enquanto toda a programação artística, gravações, turnês, projetos educacionais etc. são captados pelo Instituto Cultural Filarmônica, organização social responsável pela gestão da orquestra, por meio de patrocínios via Lei Rouanet, recursos diretos, bilheteria e programa Amigos da Filarmônica.

Fale um pouco sobre o Projeto Brasil em Concerto, em parceria com o Departamento Cultural do Ministério das Relações Exteriores.

Uma nobre iniciativa do Itamaraty, juntamente com a Filarmônica de Minas Gerais, a OSESP, a Filarmônica de Goiás e a gravadora NAXOS. Serão gravadas mais de 100 peças de vários compositores brasileiros, num período, a princípio, de cinco anos. O primeiro disco da série, com obras de Alberto Nepomuceno, foi gravado em 2018 pela Orquestra Filarmônica de Minas Gerais.

Quais são suas referências musicais? 

Do ponto de vista de influências, eu diria que é a somatória da experiência positiva que outros regentes e orquestras tiveram ao longo da história e que me inspiram na definição da história de nossa filarmônica.

O que gosta de ouvir nas horas de folga?

Silêncio.

Quais são os planos da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais para 2019?

Continuar a trilha de sucesso que vem caracterizando nossa trajetória, recuperando o investimento financeiro perdido nos últimos anos, levando a música de concerto a um número cada vez maior de pessoas e utilizando-se da força transformadora da música na formação de futuros músicos através de uma Orquestra Jovem.