Paulo Navarro | sábado, 16 de março de 2019

Foto: Erick Sousa

Bem localizado

Qual a lição mais importante que a vida deu ao bem-sucedido homem de negócios Eugênio “Localiza” Mattar? “Que você não deve se impor limites. Foram feitos para ser superados. Com determinação, disciplina, responsabilidade e boas pessoas ao seu lado, o limite está sempre mais longe do que a gente imagina. Então dá pra ousar, dá pra construir e dá pra fazer acontecer se você perseverar”.

A Localiza é trabalho. E os outros ingredientes?

A paixão pelo cliente. Se você quer empreender, mas não cuidar do cliente, nunca será bem-sucedido. E também a qualidade das pessoas que trabalham com você; você ter noção correta do que é gerar valor. Os resultados devem ser utilizados para contratar gente boa; investir na infraestrutura, na experiência do cliente; um círculo virtuoso.

Mattar é libanês...

O correto é Máttar, significa chuva, uma cidade pequena do Líbano. O Mattar lá é o Silva aqui. O primeiro aqui foi meu avô. Primos e parentes foram se instalando. Nosso avô foi para perto de Oliveira, um parente para perto de Divinópolis e outro para a região de Juiz de Fora. Assim, cercavam o mercado, trocavam experiências, oportunidades. Somos descendentes de fenícios (grandes comerciantes) e não de árabes.

Líbano também é trabalho.

Sim. É um país muito pequeno. Beirute, a capital, era chamada de Paris do Oriente. Um país lindo; povo muito empreendedor. Os fenícios faziam o comércio no mundo antigo. O libanês, por natureza, pela história e a posição entre Oriente e Mediterrâneo, é vocacionado para o comércio, os negócios.

A Localiza, como muitos negócios, começou pequena. Aí entrou o talento da família?

Duas famílias: Mattar e Rezende. O talento veio dos quatro sócios: eu, Salim, meu irmão; Antônio Claudio e Flávio Rezende. Poucos recursos. Mão de obra mais fácil, mais barata, a da própria família. E, com o tempo, a família é Localiza e não mais Mattar ou Rezende. A Localiza tem um DNA, um código de conduta, o tal “sangue verde”.

Alugar carros é uma tendência sem limites, antecipando o futuro?

Por sorte, o aluguel de carro é uma economia compartilhada. Já nasceu com a perspectiva boa. O limite é o da mobilidade das pessoas, que acompanha o crescimento, o desenvolvimento. A mobilidade traz conforto, liberdade, prazer.

Como vê este “novo” Brasil, esta “nova” Minas Gerais?

Com otimismo reservado porque não é fácil liderar as mudanças necessárias para a volta ao desenvolvimento. Existem muitos entraves culturais, burocráticos, políticos. Muito privilégio a ser vencido. O governo já encontra dificuldades, mas parece muito disposto a vencer essas adversidades dialogando, explicando e fazendo a coisa acontecer.

Eugênio tem tempo para o lazer?

É o que me falta. Adoro tomar vinho com amigos, viajar com a família e amigos, adoro livros ligados aos negócios, romances, biografias. Tenho amigos de infância, da época da Engenharia, da Aeronáutica.