Paulo Navarro | quinta-feira, 7 de março de 2019

Rogério e Ludmila Tamietti, em noite de jazz no Topo do Mundo, com o genial Marcelo Teixeira da Costa, da banda Happy Feet

Foto: Paulo Navarro

Nossa cruz

Roberto Fagundes é presidente da Federação Convention & Visitors Bureaux de MG e também do Conselho do BH Convention & Visitors Bureaux. Nesses postos, o “trade” turístico de BH e Minas não estão satisfeitos com a fusão das secretarias de Estado de Turismo e Cultura, que serão conduzidas pelo jornalista Marcelo Matte. Para isto, Roberto Fagundes está em contato com a Assembleia Legislativa.

Nosso calvário 

Falou-nos Fagundes: “Queremos o apoio da ALMG, de seu presidente, Agostinho Patrus. Ele entende; é ex-secretário de Estado do Turismo, no governo Anastasia; conhece as carências, necessidades e perspectivas do setor. Esperamos que ele não homologue esta decisão do governo”.

Nosso suplício 

Continuou Fagundes: “Amigos na área cultural também não aceitam esta fusão. Estive, semana passada, na ACMinas, com o governador Romeu Zema. Falei sobre nossa insatisfação com o desinteresse do governo em relação ao turismo; das nossas tentativas frustradas de conversarmos com ele, desde a campanha; da tentativa de conversarmos com a ALMG sobre o projeto de união das duas secretarias; da oportunidade que não podemos perder, com um ministro da Cultura, mineiro (Marcelo Álvaro Antônio)”.

Nosso defeito 

Uma reflexão. De nada adianta separar de novo as duas secretarias, muito menos termos um mineiro ministro da Cultura. Como não tem serventia uma piscina sem água para a natação. Faltam em Minas atrações de verdade (e não fictícias, como a Estrada Real, a “BR-171”), programas, infraestrutura, divulgação, criatividade, talento, conhecimento e ousadia.

Nosso atraso 

Ninguém precisa de grandes estudos para saber o que está errado em Minas. Por que tanto desperdício? Por que os poucos turistas que temos procuram as cidades históricas, principalmente Tiradentes e Ouro Preto? Porque são diferentes e, por enquanto, atraentes, têm o que oferecer.

Curtas & Finas

* Continuando, sobre o turismo que não temos: outras cidades tão antigas como Ouro Preto e Tiradentes, Barbacena, agonizam porque foram totalmente descaracterizadas, destruídas por séculos de descaso.

* BH não tem rio, mar e sabe explorar nem as montanhas carcomidas pela mineração. Isto sem entrar no capítulo Vale, Brumadinho, Mariana.

O carnaval finalmente deu certo em BH, simplesmente pela iniciativa da população. Seus prefeitos nunca fizeram nada, além de atrapalhar.

Nossos museus são fracos; nossos festivais, pouco atraentes; não temos salões de arte, congressos. Não temos monumentos e, principalmente, arquitetura.

Para resumir o que não tem fim, além de estudar e aprender, todos nossos dirigentes deveriam ter morado seis anos em Paris, para aprender com o “Primeiro Mundo”.

Aprender, sem mordomias, como usar turismo e cultura como enormes fontes limpas de renda.

* O jornalista Fernão Silveira, que já ocupava uma posição na diretoria executiva da instituição, assumiu a presidência da Casa Fiat de Cultura, na última semana.

Silveira é diretor de Comunicação Corporativa e Sustentabilidade da Fiat Chrysler Automóveis para a América Latina e sucede a João Ciaco, que deixou o cargo na última semana, após 18 anos no grupo FCA.