O Horror, O Horror!

Foto: Daniel Seabra

O Horror, O Horror!

Em 1938, Orson Welles causou pânico, dramatizando, no rádio, o livro "A Guerra dos Mundos" (1898), de H.G. Wells, onde marcianos invadiam a Terra. A população realmente acreditou "no fim do mundo". O projeto "Histórias Extraordinárias", no CCBB, traz o casal Juliana Galdino e Roberto Alvim na leitura dramatizada. Ela na leitura, ele na direção. Dia 6, às 19h30; entrada gratuita.

- Juliana, "A Guerra dos Mundos" é um clássico. Não só do terror, mas da literatura mundial. Afinal, que mundos, no livro, são estes em guerra? Krypton?
Não, Kripton é o do Super Homem, né? (rsrsrsrs). No livro, o planeta Terra está sendo invadido por alienígenas vindos de Marte. E os marcianos são os alienígenas mais famosos e antigos. É uma guerra interplanetária, entre duas civilizações radicalmente distintas.

- Roberto, depois de tanto tempo, este "horror" do livro ainda aterroriza? Marcianos verdes ainda assustam e ameaçam numa Terra já tão cheia de horrores?
A invasão marciana é uma elaboração poética da luta entre diferentes povos, ideologias ou pontos-de-vista. Terráqueos e alienígenas podem ser lidos como metáforas do conflito entre Ocidente e Islã, Europa e imigrantes, América e Coréia do Norte, polarizações ideológicas, discriminações étnicas, intolerância às opções sexuais não-normatizadas, recusa à diferença...

- Juliana, o que tua leitura traz de novo?
A questão do estrangeiro, do invasor, do indivíduo que é diferente de nós e que encaramos como inimigo, é o tema desta obra – e é também o grande tema de nossa contemporaneidade. Em que medida tolerar ou recusar a diferença?

- Roberto, qual o segredo para uma convincente leitura?
Criar uma estrutura cênica simples e clara, que permita que o texto soe em primeiro plano.

- Juliana, o que te apavora? Baratas voadoras, bomba atômica, terrorismo ou você é corajosa?
Não costumo ficar apavorada, é uma sensação que paralisa e não podemos ceder à impotência. O medo nos impede de experienciar o desconhecido e a grande beleza de estar vivo é poder se lançar em direções novas.

- Roberto, alguma curiosidade nesta encenação?
Eu e a dramaturga Daniela Pereira de Carvalho, que adaptou o livro do H. G. Wells, nos conhecemos no Rio de Janeiro em 2001. Ela estava começando a escrever para teatro e eu ajudei a viabilizar a produção de sua primeira peça, que estreou em um projeto de novos autores que eu coordenava naquela ocasião. E agora nos reencontramos por conta desta leitura.

- Juliana, novos projetos à vista?
Estamos em turnê pelo Brasil com a peça “Leite derramado”, adaptação do romance do Chico Buarque. Estamos também em cartaz em São Paulo com a peça Kiev, texto do uruguaio Sergio Blanco sobre os 100 anos da Revolução Russa.

- Roberto, como foi a recepção desta leitura, no Rio de Janeiro?
Foi excelente. “A guerra dos mundos” aborda questões urgentes e incontornáveis neste nosso conturbado século 21.