Paulo Navarro | sábado, 3 de novembro de 2018

Foto: Bruna Finelli

A bela das artes

Nos bastidores desta entrevista, a galerista e marchande d’art, linda Angela Martins, Galeria AM, para os íntimos, confessou ter adorado o convite para estar aqui. É que, neste tortuoso 2018, a balzaquiana AM Galeria completa 30 anos. Muitas histórias, idas, vindas; sempre com a emoção que a arte confere. Desde que Angela foi fisgada por ela nos anos 1980. Muitas experiências e crescimento.

Quem é a Super Angela?

Continuo a Angela de Ponte Nova. Formada em Letras, ex-professora de Literatura. Mas em 1984, tornei me sócia de Sandra Penna, em um antiquário.

Daí para a galerista e marchande, quantas artes?

Cinco anos depois, abri minha própria galeria. Tive o apoio do amigo e escultor Amilcar de Castro, que me ajudou a formar o time de escultores, seus colegas. Assim vieram Franz Weissmann, Jorge dos Anjos, Bruno Giorgi, Ascânio MMM, Sônia Ebling e Sérgio Camargo.

Prego na manteiga, então.

Não. Nada fácil. Com Sérgio Camargo, por exemplo, tive que ir ao Rio; três dias de sabatina cultural. Só assim ele aceitou o convite.

OK, mas depois da manteiga, queijo e faca nas mãos?

De lá para cá, a galeria cresceu muito e passou por constantes transformações com o melhor da produção artística. Investi em São Paulo, com uma filial da AM, a Galeria Horizonte, que funcionou durante dez anos.

Mas aí, incorporou a filha pródiga.

Mudei a sede de BH para um amplo e bonito espaço, na Serra, para que os artistas possam experimentar mais em eventos, exposições, palestras, lançamentos de livros e tudo que agrega cultura às nossas atividades e ao público.

E aí, as já citadas histórias, idas e vindas?

Retornei em setembro a São Paulo com um escritório de arte onde, além do acervo de BH, temos móveis de design moderno assinados por nomes como Sergio Rodrigues, em parceria com o Gabinete de Curiosidades.

Chegando a 2018, este ano “ímpar”, como vamos?

Firme, nos ajustando às novas realidades, buscando estratégias inovadoras de venda e de atendimento. Temos um time diverso e excelente de artistas, nos quais confio e acredito. Escultores, pintores, fotógrafos, multiartistas, desenhistas de diversas gerações e de todo Brasil.

Afinal, arte rima com bonança, mas também com crise?

No mercado de arte, o caminho para se manter é trabalhar sabendo reconhecer o artista e orientar bem o cliente, garantindo com isso qualidade e profissionalismo. A arte é um excelente investimento. Você compra na emoção e também na razão.

Luzes e cores na paisagem de 2019?

Uma das minhas características pessoais e de toda nossa equipe é o otimismo. Trabalhamos nesse sentido e acredito que a arte brasileira é sólida e maravilhosa. Temos artistas importantíssimos e essa produção tão séria e instigante me deixa sempre muito animada a continuar. A arte motiva, é uma força propulsora, ela nos renova, ela nos faz acreditar que sempre há um lugar melhor para gente seguir.