Malandragem reciclada

Degustando as delicias do evento Bahia em Terras de Minas, promovido pela Classe A Frutos do Mar, Simone Lage e Eduardo SimõesFoto: Edy Fernandes

Malandragem reciclada 
O grande Moreira da Silva, Rei do Samba de Breque, cantava: "Malandro é o gato que come peixe sem ir à praia" e "Em casa de malandro, vagabundo não pede emprego". Isso antes da malandragem ser trocada pelo banditismo e Chico Buarque identificar os novos: "Malandro candidato a malandro federal, malandro com retrato na coluna social, com contrato, com gravata e capital, que nunca se dá mal".

Malandragem atualizada 
De passagem por BH, o comandante José Afonso Assumpção deu sua versão,: "O grande malandro é o que faz tudo certo". E sobre frases geniais, pescamos algumas pérolas no livro de  Joaquim Ferreira dos Santos, a bigrafia do colunista social Zézimo Barroso do Amaral (1941 - 1997).

Malandragem social 
Na biografia "Enquanto houver Champanhe há esperança", alguns pensamentos de Zózimo, nos anos 80:  "Quem pensa em dinheiro, não ganha dinheiro. Hoje quase não há família, só pessoas jurídicas. Novo-rico me incomoda muito, mas novíssimo riquíssimo me incomoda muito mais".

Malandragem triste 
E continua Zózimo: "O Nordeste bota turista pelo ladrão. O Rio bota ladrão para turista. O problema de Brasília é o tráfico de influência. O do Rio é a influência do tráfico. Depois de uma certa idade, o homem da cintura para cima é poesia, da cintura para baixo, prosa. Segundo Joaquim, já em 1981,  cansado do ritual social de duas décadas, em entrevista à revista Playboy, Zozimo desabafou sua opção cool:  "As pessoas são sempre as mesmas, a comida é a mesma,os garçons são os mesmos".

Malandragem final 
Finaliza Zózimo, sempre atual, profético, atento e citado por Joaquim: "A vida social está em baixa, as pessoas recebendo menos por causa do medo de ostentar  e da grana curta. Já se começava a ver champagne nacional, vinho nacional...". Os salões estavam mudando, segundo ele, porque lá fora, nas ruas, o mundo já não era o mesmo. Fim dos anos dourados.

Curtas & Finas

* Ainda relembrando Zózimo Barroso do Amaral, na biografia escrita por Joaquim Ferreira dos Santos, na página 231, o colunista social definia o esnobismo.

"Ser esnobe é chegar em casa a noite, olhar em cima da mesa três ou quatro convites para eventos sociais de expressão...".

"Depois, vestir uma roupa qualquer, uma capa velha e ir ao cineminha da esquina. Agora, o cúmulo da infelicidade é chegar em casa, não ver nenhum convite sobre a mesa, vestir uma roupa qualquer, uma capa velha e ir ao cineminha da esquina".

* O Instituto Verificador de Comunicação (IVC) e Canguru convidam para a palestra "As Ferramentas do IVC para Planejamento de Mídia e a Importância dos Dados Auditados".

Via Canguru e à frente da palestra, Marco Aurélio de Souza, gerente de auditoria e projetos de mídia do IVC, e responsável pelo desenvolvimento da metodologia de auditoria de publicações gratuitas, eventos e "out of home".

Café da manhã, hoje, às 9h, no Assim Doce, Funcionários.