Dupla atômica

Nas fotos: Tonico Mercador e Fernando Pacheco, brindando a vida e o mundo em Saquarema (RJ).
Crédito: Cláudia Pires

Com eles, a risada é farta e o sorriso, fácil. Bom humor e talento abriram filial nas figuras de Fernando Pacheco e Tonico Mercador que conhecemos de muitos outros carnavais e alguns inevitáveis funerais. O primeiro, "habitué" das galerias do Brasil e do mundo, nasceu em São João Del Rei, o segundo, poeta 24h/24h, foi inaugurado, em São Luís, Maranhão. Ambos mineiros até a alma. Penada!

- Fernando, além de ter uma casa na cidade litorânea, por que férias em Saquarema e suas cores?
- Saquarema pertence à geografia da minha fantasia. Entre os caracóis do Serguei (personagem mais famoso da cidade, por ter namorado Janis Joplin, quando a cantora visitou o Brasil, n.d.r.), suas cores veladas: descasca-se o azul e encontra-se a maravilha do cinza.

- Tonico, por que vai morar em Saquarema e com que palavra a define?
- Ninguém está de frente para o mar em Saquarema. Está diante do Oceano Atlântico, lar monumental de quem sonha com distantes maravilhas. É minha pedra preciosa, minha jóia, meu pedaço.


-  Fernando, conte-nos, brevemente, sobre 2017, em Miami.
- Convidado, inaugurei com Monica Mendes o MM Open Studio, participei da Art Fair Miami River. Realizei pintura ao vivo, gravei programas e vídeos e fechei acordo para "jogar no time" de artistas de Jade Matarazzo. Na bagagem, muita amizade!

- Tonico, 2017 seria um poema ou um conto de Edgar Allan Poe?
- Um poema. Com os elementos de terror de um corvo pousado no parapeito da janela repetindo: “Nunca mais! Nunca mais!”

- Fernando, o que te dá vontade, te inspiraria ser Matisse?
- Se a Pintura MATASSE Fernando Pacheco, queria ser MATISSE! Pintar um quadro pela manhã, para embelezar o mundo no final da tarde!

- Tonico, que pente te penteia? Cortázar ou Omar Khayyam?
- Khayyam celebrou a vida com tâmaras, vinhos, mulheres e estrelas de prata na bandeja azul. Cortázar desvendou a vida nas estrelas, nos becos e nos subterrâneos das palavras. Cortázar é meu irmão e com ele me penteio.

- Fernando, o que espera de 2018?
- Que não fiquemos esperando, mas que façamos! Será um ano do fazer e não do esperar! Arte é papel fundamental nesse processo!

- Tonico, o que não quer ver, nem pintado por Fernando Pacheco em ouro, em 2018?
- O artista é livre e somente a liberdade justifica seu talento e sua arte. Jamais diria a ele o que eu não quero ver e sim o que eu quero ver: em novas cores, a projeção mais genial de 2018.

- Fernando, você que ama as cores espanholas, vermelha e amarela, qual usaria num livro de Tonico?
- Usaria o Não-Branco. O Branco concentra todas as cores. O Não-Branco é Branco mesmo! Totalmente invisível e pronto para receber as mais abstratas e geniais palavras que o infinito da poesia poderia produzir.

- Tonico, com que título batizaria uma tela de Fernando, "Perversa" para rimar com teus "Perversos"?
- Gemas de Saquarema. A pintura de Pacheco tem uma magia vigorosa que acende nossos olhos.