O esporte e os roubos da moda

A moda vive roubando ideias já existentes. Nos anos 40, quando terminou a segunda guerra mundial com as industrias todas paradas, os estoques de tecidos femininos se esgotaram e só sobraram os tecidos masculinos. Sem outra alternativa os estilistas europeus usaram em suas criações tweeds, gabardines, alpacas, tricolines e os listrados risca de giz e garrafeiros; tecidos que são incorporados até hoje nos lançamentos femininos. Mademoiselle Chanel, Monsieur Christian Dior, Madame Gres, (que criou os famosos drapeados), Madelaine Vionnet (com os vestidos inventados no  viés), Madame Elsa Schiapareli, (com seus ombros largos)  criaram vestidos, tailleurs , cardigans, calças, pantalonas , camisas, blazers, jaquetas dentre outros modelos, utilizando o mínimo de tecidos em suas formas. O que provocou mais adiante no próprio Dior foi a vontade de utilizar vários metros de tecidos que acabou sendo chamado de New Look. Mais tarde Yves Saint Laurent roubou  o smoking,  traje  criado para os homens fumarem e hoje adotado em todo no mundo como roupa black tie e conseguiu mostrar para o mundo que quando a mulher é feminina nenhuma roupa é capaz de tirar dela a sua feminilidade, basta desabotoar dois botões de uma camisa que o seu  poder de sedução continua firme.

Temporada vai, temporada vem, e os roubos continuam com o atual revival dos anos 90 onde as marcas esportivas como Adidas, Nike, Puma, dentre outras, começaram a criar desejos para um publico que jamais praticou  um só tipo de esporte. Os estilistas perceberam o filão e se jogaram trazendo para esse publico modelos de todos os tipos de esporte porém utilizando tecidos fluidos, transparentes, sedosos e até estampados com motivos inteiramente femininos.

Essas influencias continuam e vão continuar a influenciar os estilistas, e é assim que a moda vem caminhando nos dias de hoje. "Rouba" ideias do passado e cria desejos para o presente. Na estação passada a grife Louis Vuitton resolveu apostar nas roupas dos skatistas e procurou a Supreme (marca queridinha dos roller deslizantes e que tem uma tribo forte de seguidores) onde misturou sua famosa logo “LV” com a logo da Supreme e criou jaquetas, shorts, bermudas, calças largonas, tudo  com o despojamento e a  desestrutura que esses uniformes esportivos provocam quando usados. Isso rejuvenesceu a marca, fez voltar as logos aparentes, que nos anos 90 faziam a alegria dos aficionados pelas grifes, pois provocavam um status imediato em quem vestia.  E assim vem influenciando todos os lançamentos mundo afora. O que tem de jaquetas, parkas, calças, camisas  e vestidos com as famosas listras Adidas, adaptadas em tecidos nobres como sedas, shantungs, musselines, cetins, reafirmam   que a moda esta ficando cada vez mais democrática, e a distancia entre roupa esporte para ocasiões esportivas e roupas finas para ocasiões cerimoniosas, fica a cada dia mais estreita e menos rigorosa, pois a moda vem a muito tempo pregando a individualidade em que pode usar de tudo e que pode até ficar feio.

Até a próxima, com mais de moda!