Detestável Melasma

De 10 pacientes que atendo na Clínica, pelo menos seis tratam melasma. Para quem não sabe, melasma são aquelas detestáveis manchas escuras no rosto que aparecem sem pedir licença e não nos deixam mais. Cerca de 90% dos casos ocorrem em mulheres com mais de 30 anos. Estima-se que até 75% das gestantes e até 35% das mulheres em tratamento com anticoncepcionais são afetadas por essas manchas, que variam a tonalidade do marrom claro ao mais escuro e aparecem, em sua maioria, nas bochechas, sobre os lábios (marcando um bigode) e na testa. Mas também podem aparecer no colo e nos braços. 

O melasma é uma alteração pigmentar da pele que está principalmente atrelada à genética, à exposição solar frequente e algumas alterações hormonais. Ela também pode ocorrer em pacientes sem uso de pílulas e não grávidas. É muito importante que o portador dessas manchas se cuide para evitar o rebote, que é o retorno delas, algumas vezes pior.

O calor contribui para a piora das manchas. Para se ter uma ideia, seja o vapor do banho quente, do forno, da sauna e até do carro fechado. Por isso, por mais que possa parecer “chover no molhado”, o protetor solar com FPS alto é muitíssimo importante para quem tem melasma. Reforço até que seja retocado ao longo do dia, preferencialmente de 3 em 3 horas. Uma boa dica para dias de muito calor é borrifar água termal no rosto para refrescar, lógico que antes de reaplicar o filtro.

Para quem usa maquiagem, uma opção para retocar a proteção é uma base ou pó com protetor solar FPS mínimo 30. 

A disciplina para o controle das manchas é a parte mais importante do tratamento, seja em casa ou na Clínica.

Confira algumas opções de tratamento:

> Cremes para o dia a dia específicos para cada tipo de pele: são fundamentais no clareamento e na fase de manutenção; 

> Laser: pode ajudar no clareamento e na renovação celular, mas o cuidado deve ser redobrado para evitar o rebote.  O paciente nunca deve passar por um tratamento a laser sem uma avaliação criteriosa de um dermatologista;

> Peeling: muito bem-vindo, desde que seja superficial. O peeling profundo irrita os melanócitos (célula que pigmenta a pele) e ajuda no rebote do melasma;

> Orais: incluem desde antioxidantes a produtos que auxiliam na despigmentação da pele e na fotoproteção. Não substituem definitivamente o protetor solar diário;

> Microagulhamento + Drug Delivery: consiste em perfurar a pele com centenas de agulhas e aplicar imediatamente substâncias que ajudam no clareamento como vitamina C, ácido tranexâmico, resveratrol, entre outros. 

Por mais que o melasma seja uma doença crônica e não tenha cura, o tratamento, se feito de forma correta, é bastante eficaz e pode apresentar resultados muito satisfatórios.